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{ quem somos }

...

19 nov 21
quem somos, quem fomos

"viver é ver as bobagens que a gente fez até o dia de ontem"
gr
. . . e achar que está vacinado para novos êrros
mas hoje sei errar com muito mais classe

a gente vive pra entender depois
o que não acredita agora

tô na idade em que já se aceita 'a própria instalação do windows'
e me adaptei a conviver com as configurações originais
pois, são as que enraizaram

ora com menos recursos e um excesso de alertas

eu, paulo romeu pereira bissoli, filho de romeu julieta bissoli e
maria da luz pereira bissoli, nasci em poços de caldas em abril de 53
tive a infância e adolescência 'normais', atiradamente, precipitei o resto
saí de casa aos 16 1/2 sem base nem garantias, apanhei, ralei, ganhei e vivi

no planeta de 2,5 bilhões em que nasci hoje tem 7,8 bi
no mesmo espaço o consumo cresceu exponencialmente

vivenciei muitas mudanças, outras nem vi
mas sei que muita coisa é a mesma coisa

em partes críticas da história do nosso país
eu estava procurando uma estabilidade
que me garantisse o básico, seja:
comida, teto e existência

daqui posso me arriscar a definir
o que aprendi com o que tive
mesmo que demore, erre
e seja inconveniente

. . .

o que me incomoda, os protocolos da hipocrisia:

o comércio de água e suas marcas irônicas
é um abuso aceito por quase todos hoje
acham até que levam vantagem

no alto, faturam com a 'crise hídrica'
o planeta esqueceu de aumentar a chuva

muita maldade mudou para nomes modernos
exemplo maior é a tal da 'qualidade de vida'
novas regras inventadas já infectadas
e os nojentos termos 'adequados'

bem melhor seria que vigesse a moda do 'humanamente correto'
'bem estar' hoje é nome da seção de psicotrópicos nas farmácias
veneno brabo era agrotóxico, ora piores se chamam 'defensivos'
o 'meio ambiente' não inclui favelas e enormes bairros pobres,
loteamentos em áreas inundáveis, casonas feias, altos muros,
cachorros demais, moto-entregadores voadores, o barulho,
rios envenenados, escolas indignas, terrenos sem quintal,
urbanização meia-sola, pouca civilidade e ordem social,
curriolas revezando-se nas cadeiras, justiça conivente,
homens públicos agindo como se mulheres públicas
hienas eleitas que só querem dar boas mordidas
facilidades com que aumentam suas vantagens,
planejamentos míopes, efeitos ignorados
o estado absorve toda arrecadação
2.500 obras federais paradas
fora as outras

projetos tem sobrando
folgados irresponsáveis
que fingem que trabalham

"ah, mas eu vou todo dia ! ..."

numa escola de bairro daqui
cresceu capim e apareceu uma cobra
a diretora chamou a rádio pra denunciar
a palavra final foi da secretária de educação:
"ah, mas o homem que limpa está cumprindo licença !"

eu ouvi e imaginei a pinta da perua perfumada, cheia de jóias

mais esta que me enjoou muito:
numa escola na zona rural, modesta e bem feita
eu imagino que tem 4 salas boas no máximo
passei por lá numa segunda de manhã
contei 18 dé-zoi-to carros novos
de foncionários, claro
poços tem 8000

continuando...
o brachiária se impondo pra todo canto
extensas monoculturas e seus males
especuladores em todas as áreas
insegurança, cercas elétricas
a inflação perene

medidas-crime oficiais, desrespeitos,
onde tudo 'vai ser investigado'
mas que só fica nisso

'a justiça não pode existir onde a política domina.'
ez

"nossa economia é sólida"
"vivemos numa grande e forte democracia"
os partidos políticos e seus fundos que o digam
e os bancos, que nunca perdem, que os confirmem

privilegiados profissionais,
'malfeitos' e tramóias de alta rotatividade
a cada ano se esquece (eu não) das anteriores
aproveitadores sem escrúpulos e insolentes impunes

repórteres boçais com perguntas bobinhas
oportunistas dando respostas sonsas
prometendo enérgicas ações
assuntos esquecidos

jornalistas vendidos e os ingenuamente cooptados
transparência agora é só uma salada de opiniões
cultura é marketing evoluído para abastados
nas redes, a revolução evapora em 3 dias
carnavais

fora algumas licenças para bagunças
e tantos afetados conclamando ação
espertos incitam os desocupados
ostentação de 'atividades'
purga de fracassos

tudo forçado

ninguém olha pra si mesmo

num güêntu ouvir, sem me chatear: "voto consciente", "transparência",
"regulamentação", "políticas de apoio", 'instituições democráticas',
"mecanismos eficientes", 'sociedade organizada', 'comunidade',
"passivo ambiental", 'cotas de carbono', "interesse social",
'produto artesanal', alimentos 'orgânicos', 'diet',
onde se lambuzam os espertos e abusados,
os folgados e os inúteis

governo é só o mandato do empossado
1º ano, ajeitamento dos coleguinhas
no 2º, abafamento de escândalos
3º e 4º, cuidar da sucessão e
programinhas populistas

pelas duvidosas propostas e as bravatas na hora do brasil
dá pra ver que nada é real e espontâneo, só interesses
temos o direito de escolher uma mentira ou outra
naquelas vozes doces, bem treinadas
uns parecem 'padre chorão'
'para que possamos ...'

corporações e estatais abafam o país
cada dia mais gordas e folgadas
é a nossa 'zelite'

com uma constituição estuprada constantemente
que visa 2x mais o fortalecimento do estado
que a nação e a população

as religiões cuidam do "crescei e multiplicai-vos"
donos do mercado agradecem e se rejubilam

somos ainda uma grande colônia de simplórios
ora multinacional (elis dá imprêgu pá nóis !)
nóis num priciza dizinvorvê mais nada
a modernidade nóis compra pronta
minério, mío i soja nóis izpórta
baratinho mais sérvi
'entra' as diviza !'

que usamos para comprar todos os insumos,
sementes e implementos que eles fabricam
aqui mesmo, pelo preço que querem
fazem a drenagem sem fim

a coca cola extrai nossa água do subsolo
e a vende pra nóis mêmo

e ainda pôe na garrafa: "o melhor do brasil é o brasileiro"

e temos que ver de bons olhos
atletas bombados e modernas ativas
andando por aí com a garrafinha na mão

"nóis tem investimentu istérnu" (triste !)

e o lucro gordo, que sempre foi embora,
deixa os empreguinhos, os graças-a-deus
a sujeira, ruínas e pixulecos nas mãos certas

nóis num cresce, a genti só inchamos

espelhinhos e brinquedinhos nos bastam
discursos enrolatórios nos orgulham

"eu vi um homem que viu o mar!"
provérbio ibérico de 1000 anos

'cidades sem alma, amontoados de gente'
p.

. . . rescendendo a lixo e esgoto
calçadas podres, ruas esburacadas
uns asfaltos que são só uma tinta preta
loteamentos crús, edifícios caixotes de 3ª

isso qui nóis chama di pogréçu!

pilotos de corrida soltos pelas ruas
polícia forte e 'bem controlada'
viciados e ladrões à vontade,
combinações sem medidas

mundo-mercado, nações-fábricas

a 'natureza' aparece bonita na tv
os sentimentos, nos filmes
isso contenta a todos

quem pode embarca num rebanho
e dá uma olhada com pressa
nos lugares da moda

humanidade trincada por fanatismos
pobreza mantendo a produção dirigida
privilegiados alegres vestidos de patriotas

o planeta 'sustentável' é o mesmo pra todos
e os que mais consomem e transformam
são os que mais apregoam cuidados
falando alto pra serem notados
com as cínicas normas
tendo, se bastam

em 'projetos sociais' acham que se lavam
é tudo pose, auto engano

ouviram o galo cantar e não sabem onde
são e sempre foram os "caga-regras"
agentes do continuísmo

amargam as belezas do mundo
e tiram sua graça, os sem graças
suas crianças já nascem esquisitas

pois há irritação, insolência e deboches
com quem procura chão limpo pra pisar

se infestam os centros de consumo
só mesmo buscando alguma paz
onde ainda não alcançam

ache quem puder

. . .

. . .


o que antes me irritava ora me interessa
os inversos explicam mais fácil

tudo se aproveita e aproveito o que posso
quanta coisa vejo que nunca vi

por outra, ora suporto os atuais chatos
pelas lembranças do que já fiz

é como uma equação matemática
onde se vai eliminando as redundâncias

saber perguntar é o melhor saber
principalmente a nós mesmos

para poder aprender a ver de fato
o que nos ensinaram 'adequadamente'

atentar, ver e se 'vacinar'
contra o que querem que acreditemos

constatar que o mais proveitoso
é definir o que a gente não precisa

estimo nossas faculdades
vivo a vida que ganhei
e valorizo

"modesto é o vaidoso escondidinho atrás da porta"
ouvi numa reunião no rio

. . .

. . .


fiz este site em 95/96 pra ser 'meu lojinha'
queria divulgar os trabalhos da hora
minha vitrine com curiosidades
e falar sobre o que via e sentia

quem se fecha cria mofo

era o tempo dos jornalecos de bairro
com matérias de alta boçalidade
e tendenciosas subjetividades

por comentários de alguns amigos
achei o gosto e tomei gosto
de me entender

"no espelho da visão está a segurança da verdade"
teodorico - código visigótico - 654

mas logo vou desmontar, aqui, só 'pelos finalmente'
pois cansa e não sei se isso adianta

. . .

fundamos a my zoom fotografias ltda em 1990
eu e um colega mais interessado, o incitador
que se mancou e saiu em um ano, paguei

tive muitas propostas na vida
só agora me dou conta

e

em 2014, na jucerja, 'garfaram' o nome que inventei
disseram que já existia, insisti que era eu mesmo
2x a mesma resposta, sem outras explicações
fui vendido e comprado, perdi a my zoom
meu contador nem foi lá ver o porquê
e eu nem seria atendido se fosse

ainda tive que dar 500 reau
pro fiscal me entregar o novo alvará
que estava pronto na gaveta, ou nunca estaria

a firma está inativa e à deriva desde 2015
a sêca de trabalhos começou em 2008

encalhei

"o governo não é a solução para nossos problemas.
o governo é o problema ! "
r. reagan 1981

" . . . isso é jogo 'robado ! " n. nahas 1989

ora, ao menos ainda mantenho o domínio do site

. . .
. . .


nunca freqüentei qualquer rede social
não me inscrevi em blogs ou vlogs,
não entrei em nenhum grupo

não torço pra nenhum partido político
não bato palmas para 'simpáticos'
não frequento auditórios

'na multidão, contra mão'
t j

nunca fiquei em rebanhos
mas onde me encontro
atraio ouvintes,
confidentes

e chatos

...

'funciono' com email,
o mesmo há 26 anos: promeu@myzoom.com.br
estou com o tel 35 99872 0972 - só whatsapp
nem ando com ele, olho de manhã e à noite

ficou caro e complicado
manter o do rio aqui, e mais um
com operadoras ardilosas e vorazes

outra :
mostraram-me um paulo romeu no facebook
montanhas ao fundo e um 'fernando pessoa' de chapéu
não faço idéia de quem seja, mas conheci quem é bem capaz

. . .
. . .

o que andei fazendo:

fui pro rio em 71 por gostar desde 1960, ia nas férias
em 65 andava sózinho entre ilha, ipanema e tijuca
vi os últimos tempos do rio de janeiro agradável
os bondes, a maresia ainda com cheiro bom
e o das amendoeiras no início do verão
a rádio mundial que nos excitava
música da época bem inspirada
o feijão preto com carne sêca
bons butecos pra se comer
um bom pasquim pra ler
o sotaque das meninas
suas roupas bonitas

mas vi que era diferente naquele meio
tiveram escolas melhores que eu
mas criados dentro de casa

pois, ouvi mais de uma vez:
"gosto muito dessas coisa de natureza!"

e disputei espaço com eles

. . .

ganhando bons salários, dignos na época
a vida chegou sem me explicar as coisas
logo me enrosquei, tive de dar conta
das novas necessidades que criei
descartando meus sonhos
que mal lembro quais

por sorte logo conheci e convivi com 3 bons amigos
wilson moura, carmelo luises e rodezir martins
fotógrafos e laboratoristas maduros
verdadeiros irmãos, quase pais
informados e muito vividos
p... velhas do rio

com eles mergulhei mais fundo na profissão
comecei a formar uma base que me faltava
sem eles seria sufocado ou massacrado
por invejas, assédios e preconceitos
num rio de cobras perversas

mesmo assim sofri as angústias
de agradar para ter trabalho

também caí nas conversas
de muitos 'sabidões'

eu sei o que passei

. . .

na profissão havia que aturar os interesses
e muitas tentativas de aproximação
pela vida de fotógrafo

nunca me achei artista, mas técnico criterioso, apaixonado pelo ofício
uma profissão que é muito atraente e prestigiada, mas de folgados
em cinco anos já podia rir dos 'sabidos' com décadas de prática
inventava meus próprios métodos para melhor produção
pelo que passei por muito despeito e chacotas

meu interesse trouxe vivências
fiz muitas capas e miolos de folhetos
e fotos ilustrativas para 'bem intencionados'

por isso perdi a vontade de acreditar no que vejo,
sei como mostram, como se mostram,
e como fazem pra se mostrar
fui secando as ilusões

não fui fotógrafo de capa de revista
(mas tive foto em página dupla na veja)
por necessidades básicas priorizei a rapidez
evoluindo pontos de vista, boas cores e nitidez
a experiência que tive em laboratório foi primordial

após um trabalho elogiado para faturar sucesso
no dia seguinte estava ansioso por outro
não digeria minhas evoluções
precisava do da hora
na corda bamba
sempre

'sou mineiro paulista', gostava de dizer
e no meio técnico fui bem recebido

. . .

três empregos bons, um filho,
e comecei minha carreira solo
'carreguei' um sócio do leblon

algumas vezes usei
equipamento emprestado
só em 97 consegui o que queria

...

. . .

o que fiz de útil:

atividades resumidas na minha versão
há bem mais que não exponho aqui
ou que esqueci mesmo

saí de poços em 70
fazia eletrotécnica e
não suportava a escola
já sabia revelar em cores
1 ano em sp e ribeirão preto
de mochila desci no rio em 71
com 50 mangos que a mãe deu
(um prato de comida era 3,60)
havia o emprego que escolhesse
mafra e multicolor, meu mestrado
fui atrás de meus próprios trabalhos
pasta de fotos sob o braço, downtown,
em 75 já tinha bom laboratório próprio
sérgio dourado nos deu o maior impulso
aprendi a iluminar maquetes nesta época
então não precisava mais procurar clientes
nem fuji nem kodak: sou cria da agfa-gevaert
fui fotógrafo e colunista policial em jornal de sp
trabalhei na cozinha das notícias e vi os temperos
'di menor', empolgado mas inseguro , fui demitido
sem mágoa, vi o que me ajudou aprender mais tarde
até hoje procuro e curto filmes de imprensa impressa
lá também fiz muito casamento, formaturas e festonas
fui piloto acrobata de colormat, varioscope e durst 1000
era fera nas ampliações, fiz muito trabalho pra medalhões
em 74 já sobrevoava o rio e o brasil com, pela e para a votec
fotografei muito avião e helicóptero de helicópteros e aviões
registrei as sondas P3 e P5, as pioneiras da bacia de campos
mpm, standard, kastrup, mccann, jwt me deram trabalhinhos
em 74 fotografei toda a fábrica nacional de motores, a fênêmê
fiz laboratório pra jacques van de beuque e o marcel gautherot
era amigo e provedor de ampliações de paula laclette, a botânica
de 73 a 83 servi à 'pétobráis', terceirizado, fotografando de tudo
tudo que ela terceiriza e diz que faz, as realidades próprias deles
pude entender bem como funciona seu lema "o petróleo é nosso"
vi luxos, buchos e caviares que ainda me revoltam, mas precisava
frequentava o 20º andar, e entre outros fui algumas vezes ao 24º
no 3º escalão 'fui convidado' a doar uma moto: dei o capacete e saí
de 78 a 2002 ajudei o 'seu' oscar niemeyer a apresentar seus projetos
suas observações claras me ajudaram a evoluir melhores pontos de vista
fotografei para as maiores empreiteiras e grandes escritórios de projeto
com fotos verticais ajudei numa dúzia de viadutos e dezenas de canais,
duplicação de estradas, urbanização de praças, de favelas, loteamentos,
centenas de kilômetros de "terra incógnita" para linhas de transmissão,
era no tempo do landsat 3, detalhes no chão só podiam ser adivinhados
complexos industriais, esportivos e penitenciários, terrenões, fazendas,
fiz até 500 km2 de área urbana em 1:2000, 150 km de valas em 1:500,
vielas para asfaltar, becos, questões de divisas, encostas ameaçadoras,
bacias assoreadas, vazamentos de esgoto, aterros/lixões clandestinos,
projetos de anel viário, novas avenidas-canal e planos de recuperação
de 91 a 2015 fiz fotos verticais pra quem sabia que eu fazia, ajudei na
rapidez dos projetos pela nitidez nos detalhes, evoluindo o que podia
estratégias de intervenção e técnicas de manejo se fizeram mais fácil
minhas hasselblads normal e superwide, e fujicas 6x9 esquentavam
pedi autorização a famigerados para fotografar nos seus territórios
entrei de moto, só, no grotão da penha para concorrência de obras
de dt-180 novinha, subi as vielas, falei com os 'caras', e fotografei
um major pm, do serviço de inteligência, foi em casa e me pediu
uma palestra 'com máscara ninja'; eu disse pra ele ler os sertões
de 81 a 83 inventei molduras auto-adesivas, montei uma fábrica
no pé do morro do alemão, tive 15 escravos, 25 mil peças/mês,
inflação de figueiredo e dumping dos concorrentes, quase fui
em 78 ajudei nas exposições do 'programa nuclear brasileiro'
até almocei em churrascarias junto aos tecnocratas e coronéis
ria com eles pra não perder os gordos trabalhos que ganhava
e fotografei todas as frentes de itaipú para seu relatório de 79
também montei uma boa exposição na barragem de furnas
fui 2x à escolinha do prof raimundo a serviço de um 'aluno'
fotografei 70 fazendas do tempo do império p/ um livro chic
comi frango em algumas antes de virarem pontos turísticos
fiz a produção e montagem de painéis no espaço lúcio costa
e claro, do espaço niemeyer também, trabalho inesquecível
os painéis duplos do memorial jk, descartando a manchete
e pro oscar fiz quatro exposições abrangentes de sua obra
fotografei e filmei o engenhão, da fundação à inauguração
quando vi que era um cineasta de terceira, só penso foto
para o banco central: exposição eco 92, a nota do gaúcho
fiz 70 painéis da exposição 'arquitetura de terra' no mam
festinha no oscar, despedida de uns arquitetos franceses,
me contrataram para registrar a pequena reunião, então
bebi com darcy ribeiro, vinho do melhor, o quase porre,
empatamos no falatório, de religiões às mulheres, claro
oscar com os franceses, de olho na gente, quase ciúmes
ele sempre pedia pra eu contar minhas viagens de moto
não dele, já recusei uma 'boca' no ministério da cultura
agradeci, vi que teria de usar coleira, ficar à disposição
no tempo do 'zé do mé', quando tinha muitos clientes
tempos em que secretários me agarravam pelo braço
governador me mandava emissários para 'furar a fila'
voei a região de presidente prudente pro incra 'lotear'
entre 86 e 91 trab... me diverti com o sérgio bernardes
por alguns anos fotografei os projetos do cláudio, filho
em 83 e 84 fotografei enduros em praias e montanhas
nas trilhas esperava os machões passarem e registrava
agora vejo, me divertia bem mais que os competidores
e aprendi o outro lado dos homens e as suas máquinas
quando caíam, perdiam: "_a moto não me aguentou !"
acompanhei as obras de 5 trechos e estações do metrô
de parati a campos perdi a conta dos vôos que fizemos
'inaugurei' o abastecimento no aeroporto de cabo frio
de 78 a 83 pratiquei pequenas esculturas em madeira
tive que parar pra não parar de remar, senão parava
fiz fotos aéreas para univ. harvard - landscape dept
(um jardim do burle marx na fazenda marambaia)
de 85 a 2015 vi muito lixão 'virar' 'aterro sanitário'
fotografei expansões e revitalizações de shoppings
reproduzi arte contemporânea para galerias tops
a pedido do oscar, fiz as bandeiras do parlatino,
fotografei p/ a coppe, lab hidrologia, ime, iplan,
dei uma aula na uerj sobre foto-interpretação
colaborei 10 anos nos projetos do chacel,
20 anos c/ sérgio dias e ricardo amaral
comecei um livro com joaquim levy e
o escritório de burle marx em 2014
levei-o a almoçar no meu buteco
e dilma me levou o joaquim

e o mundo se me afastou
já era a vez de outros

ainda podia ser útil

. . .

em 2015 foi pro lixo meu arquivo de cromos e negativos
em 2003 já tinha oferecido pro arquivo da cidade
que "não tinha recursos e pessoal pra catalogar'
os filmes mofaram, salvei as digitais

de 2000 pra cá enchi mais de 200 CDs e DVDs
e, em HDs externos ainda tenho 2,5 Tb

todas as fotos que fiz tiveram finalidades práticas (e políticas!)
algumas das quais refaria com melhores critérios
por orgulho e merecimento de causa

outras (e foram tantas) eram feitas só pra inglês ver
muitos trabalhos foram para ilustrar projetos
que se sabia destinados a ser só projetos
para uns dizerem que realizariam
e garantir novas verbas

fiz eventualmente algumas fotos bonitas, pois naturais
nos translados a um objetivo, curtia singularidades
e exibia as que gostava aqui

mas o dinheiro vinha mesmo era das fotos feias
tragédias ambientais, obras caras e feias, favelas, lixo

de graça eram fotos de pedras ameaçadoras nas encostas,
fotos de poluição evidenciando causas, nós de trânsito
fotos que nunca gostaram de receber (!)

e trabalhos de estudantes, mas só pra alguns
mauricinhos e patricinhas podiam pagar

uma vez fui chamado por um barrageiro velhinho
tão bonzinho que não tive coragem de cobrar

achava muita coisa fácil, noutras nunca levei jeito
mas justificativas não explicam nem justificam
gostava de fazer duas coisas ao mesmo tempo

trabalhei pra mocinhos e bandidos
já entreguei serviços medíocres
não podia escolher clientes
euieu pelos meus

"paulinho: vc vende um tempo que não te volta mais
por uma moeda que não corre nas tuas veias."

serjão w bernardes em 88

vender minhas habilidades e eficiência me deixava contente
com estrutura vulnerável, atrevido a missões 'brabas'
passei por muitas angústias, ansiedades e perigos
são histórias que desisti de pôr aqui
uma lembra outra e mais outra
e algumas comprometem

vi de perto mais do que esperava, intimidades da profissão
fotografei muita gente trabalhando de me dar vergonha
e folgados sem vergonha que só fingiam trabalhar
esses, os que mais sabem e gostam de posar
nas suas coloridas realidades oficiais

conheci umas 5 estatais
mais outras tantas prefeituras
lembranças que ainda me enjoam

. . .

. . .

cria de laboratório, custou mas montei um do melhor nível
químicos originais, papéis novos, importava meus filmes
consegui comprar uma colex de 105 cm 'de boca', 0 km
vi caras e satisfações que valiam mais que pagamento

ainda tento refinar a composição, o básico
quando laboratorista vi grandes fotos
muitas tomadas de instamatics

a técnica constrange a criatividade
mais hoje, digitalmente homogeneizada

mas muitos talentos se desenvolvem melhor

pontos de vista deveriam ser considerados
em todos os seus parâmetros
já no ensino básico

uma boa pré-observação ajuda no mais difícil caminho

de que adianta ter uma nikoltax fxd 700 mark III alpha b2 platinun-extra,
com uma super zoom 16~1600 aspherical-anastigmatic-catadioptric,
filtros nojentos, coletinho besta cheio de bolsos, marcas e marras
se o(a) 'ixpérrtu' (a) fica onde está e não 'rima' objeto e fundo ?
pois, eles sabem caprichar é nas próprias poses
e muito na imitação do que já viram
esquecem que têm pernas

minha bronca, meus recalques, em dois ou três grandes clientes vi:
às vezes uns e umas, riquinhos, netinhos, protegidas de chefões
voltavam das férias com uma nikon pendurada no pescoço
diziam-se fotógrafos e simplesmente me espirravam
faziam uns livros-brinde, folders, logos modernas
às vezes até criavam um novo departamento
botavam vários amiguinhos pra dentro
e fretavam os helicópteros da alegria

suas fotos saíam bem mais caras

assim que enjoavam, cansavam ou
suas enrolações ficavam evidentes
os chefes me chamavam de volta

eu, caipira pra estas turminhas
aturava seus desdéns
pois, precisava

. . .

pelos trabalhos vistos e o telefone é que me achavam
assim consegui me manter nas pontas uns 25 anos
ora, pra mim isto é 'o mais principal'

o que fiz ou deixei de fazer, fui eu mesmo que fiz ou não fiz
do meu bolso arrisquei, contratei, realizei, doei, ganhei e perdi

sempre envolvido nas expectativas dos outros
teria feito mais não fossem as pressas
que só atrasam a vida da gente

vivia em urgências e paciências
tomei muitas decisões equivocadas
precipitadamente, inconsequentemente

colegas meus com muito menos bagagem
chegaram bem mais longe que eu
paitrocinados, comerciantes
e 'bem garantidos'

nunca fui negociante, nem arrogante
não andava atrás de 'boquinhas'

hoje na idade das confirmações
creio que havia algum sentido
tudo ficando mais simples
as fichas caem sem doer
mesmo as amargas

do muito que não entendia
sempre desconfiei

não sabia que já sabia

saudades de mim

. . .

. . .

a década de 80 foi meu tempo de maior insegurança
montei, funcionei e vendi uma fábrica de molduras
me dispus a trabalhar em condições de risco
alimentei à força as maiores esperanças

dois filhos e o preço do pão subindo dia sim dia não
o 'bom' do sarney e seus planos ocos foi me forçar
a sair às visitas atrás de melhores trabalhos

"pra poder ver seus limites há que conhecê-los"
nietzsche

"quem quiser saber, tem que viver"
ritchie

era o final dos tempos de grandes e muitas obras públicas
uma empresa carioca me abriu as portas da prefeitura
a prefeitura 'me entregou' às maiores empreiteiras
aquela só me encomendava, estas pagavam
depois elas mesmas me chamavam

e na década de 90 ganhava muito bem, somava e distribuía

pois, em 99 me atolei fundo em conflitos de afetos
sacrifiquei o que tinha de bom, inconsequente
no início endeusado por ser do meu jeito
depois execrado por continuar sendo
do canto da sereia ao funk pesadão
sutilezas, astúcias e as desilusões
febres, precipitações, recaídas
reciprocidades inflamadas
no diário, céu, mel e fel
7 anos de tensão

e nem precisava

me afastei dos amigos
perdi funcionárias

pois, história cara
gratidão engasgada
expectativas vencidas
experiência sem preço

a fumaça dissipou
e a vida clareou

poucas lembranças
e muito alívio

remorso não

. . .

continuei errando

peguei preguiça
da vida e das pessoas
certas vontades desbotaram

houve transições que não acompanhei
naquelas angústias intermitentes
cego para ver, tenso pra sentir
comecei a colecionar perdas

desconsiderei as evoluções tecnológicas
colegas se afundavam e eu os desmerecia
milhões de novos fotógrafos, alguns sérios
câmeras digitais, celulares, novas produções

quando me dei conta já estava lá atrás
muitos clientes já me esqueciam
o mundo todo se me afastou

e os 'malditos' drones, brincando,
já faziam bonito o que nunca consegui

procurei dominá-los mas me faltou jeito com joysticks
frequentei aeródromos de velhinhos e de riquinhos
e claro, tentaram me vender uns usados
mas já tinha visto este filme

e minha experiência com terceirizações não era boa

além de fraco pra investir em equipamentos e gente
já estava sem paciência para tolerar moderninhos
ficar na obrigação de aturar envolvimento com
animadinhos, afetados e folgados (as, as, as)
conviver com espertinhos e puxa-sacos
nas suas simpatias bem treinadas
e produções demoradas

sempre me desiludi com as equipes que montei
os que chegavam propondo voar muito alto
esnobavam conhecimentos do momento
embarcavam e eu tinha que servi-los
suas expectativas, meus riscos

financiei efervescências
criei corvas e cobros

dava plena confiança a todos os chegados
o que gerava competições ridículas
pelas 'minhas graças'

de fato, me envolviam e me atrasavam
e, se desse minhas idéias pertinentes
atrapalhava o andar do teatrinho

além de procurar e 'pescar' o trabalho
acabava fazendo quase tudo sozinho
tinha que buscar, estudar, fechar,
descascar, temperar, processar,
esperar que fizessem sua parte
embalar, entregar e faturar
pagar logo os folgados
e aí esperar o meu

quem virava noites pelos prazos ?
ou tinha que fazer de novo ?

meus talentos, meus defeitos

"todos reparam nas cachaças que bebo
mas ninguém vê os tombos que levo"

- cicinho, amigo de estrada

"... já me deram muito afeto e mais seria supérfluo.
gosto das pessoas que me fazem amá-las,
mas isso é mais difícil."

(perdi o autor, um cientista)

. . .

. . .


por este tempo ainda chegaram as 'marolinhas'
depois das sujeiras de wall street em 2008
e os 'malfeitos' que transpiraram aqui
os bons clientes reduziram e frearam
suei pra receber trabalhos prontos
cobrar é muito constrangedor

mas estas perdas trouxeram melhores ganhos
passei a fazer menos, maiores e mais altos vôos

me dediquei aos mosaicos
e então tive 7 anos tranquilos
trabalhando sem qualquer ajuda
com uma boa câmara e um bom pc

.....

fotos aéreas:
talvez tenha mais de mil horas voadas só para fotos
vi selva, pantanal, praias e tantas serras bonitas

vivi situações de pane, 3 de perigo maior
perdi alguns amigos para o chão

era conhecido por dar a proa de longe
diziam que tinha um gps na cabeça
é que sempre gostei de mapas

e,
como os mais graduados meteorologistas
às vezes acertava a previsão do tempo

. . .

'o empresário':

quem me dera poder ter sido só fotógrafo
sem mais encrencas para cuidar

tive que ouvir, 'di grátis', de clientes amigos:

_"o paulo não sabe ganhar dinheiro!" (chefetes da prefeitura)

e de ajudantes bem agraciados: "_ o paulo não tem ambição!"

nunca associei fotografar e administrar uma firma e gente; deficiência nata
não conseguia 'trabalhar um plano diplomático' com nenhum cliente
a ida a uma obra longe era o bom passeio de moto e/ou helicóptero
eu era muito valorizado, me dispensavam as melhores atenções
a produção da encomenda, o orgulho da técnica que evoluí
os trabalhos, tão inesperados, cada um com seu desafio
pude conhecer ambientes 'inacessíveis aos mortais'
eu gostava disso tudo e era bem pago

a grana era distribuida a merecedores e tomadores
achava que o trabalho nunca acabaria,
que seria sempre procurado

meus privilégios foram ter interessantes missões
direito, o de entregar 1/3 a um estado ingrato
boa parte das vezes antes de receber
benefícios, até ontem, zero

minto, tomei 2 vacinas

quanto aos 2/3 que salvava e distribuia
1/3 seria novamente confiscado

a sobra era para comprar a subsistência
que tem 40% de impostos embutidos

44 anos no rio de janeiro, às pressas
sem poder ver o que de fato fui

ainda estou pendurado na receita
por algumas guias 'esquecidas'

pois, dispersivo sempre
minhas desordens

um dia acerto

...
. . .

mulheres: seguro é não comentar demais
aceito fácil que tenham 125% de razão

seres fantásticos que não se abrem,
mas sempre se abrem, ou não

só quero lembrar
que canalhice e dedicação
são comuns a ambos os sexos
fingimentos também são comuns

hoje brinco e
me apaixono todo dia
só não deixo elas saberem

é 'complicado', como dizem aqui
machos e fêmeas deveriam ser complementares
temos quase tudo em comum

novos costumes deturpam os relacionamentos
egoísmos, vaidades, vícios, compromissos
acho que os excessos desta época, pois

...
...

agora, as 'mota': minha cachaça

aos 8 anos ia na padaria mais longe só pra ver, rodear e cheirar
as 10 motocicletas da cidade que lá paravam eventualmente
bsa, norton, jawa, indian, royal, norman (james), matchless
e muita lambretta

só em 79 consegui a primeira
já rodei, no mínimo 1 milhão de km
nas 14 motocicletas que tive para trabalhar
e quando podia, viajar ou comer peixe em arraial

nesta ordem:
harley davidson 125, rx 180, ml 125, dt 180, xl 250, dt 180, dt 180 (3ª!),
xlx 350, ténéré 600, xt 600, dr 650, marauder 800 (por 24 anos)
hoje ando em cima de uma rd 135 novinha e gostosa

presente da prefeitura e da odebrecht, numa manhã quente
deram o autódromo nélson piquet só pra marauder e eu
dei 1 volta, riscando pedaleiras no chão sem caroços
achando que na segunda cairia, parei e agradeci
podia andar mais, mas acho que fiz bem
de bermuda e sandália a 195 km/h
nem encostei, sobrava cabo

...

sou grato,

à minha vó maria sabina de jesus pereira (1886-1975)
neta de 'bugre pega a laço', me ensinava, aos 5 anos,
alguns brinquedos que seus irmãos faziam
com isso desenvolvi habilidades básicas
então inventava os meus e mostrava
e evoluia, o que mais me valia,
como valeu, e quanto

seu interesse em mim foi primordial
foi quem mais senti perder

ela contava coisas de pretos e índios
que só descascavam cana com os dentes
da sua gata que trazia jacarézinhos pros filhotes
das brincadeiras de bonecas de palha que procriavam
das onças que seu pai matava, das 'anchovinhas' que ele trazia
após sua ida anual a brodowski trocar suas colchas por sal e utensílios

à sua filha, minha mãe, guerreira engenhosa e teimosa, grande cozinheira
e meu pai bom e simpático, mudando de atividades na vida, como lhe foi
ele que me ensinou a gostar de são paulo dos 10 aos 14 anos
a mãe me ensinou a perspicácia. a prática e a cozinhar
lembro todo dia deles, com gosto, e rio mesmo

'eles me deram a liberdade de procurar meus próprios caminhos'
e por não me darem um irmão, que me fez falta, fiz vários

aos meus 3 filhos ativos: meus espelhos, minhas medalhas, minhas sementes:
Marcos - uerj, ufop, ufla, unifal + meia-fía Valéria, unifal e ufla + Pedro e Lis
Cecília - puc, ufla e ufla, hoje cuida dos bichos sobreviventes de Mariana
Daiana - puc, genra, avalia os pacientes que se submetem aos médicos
Paula - usp, unicamp, univ de lyon, professora e mãe do Theodoro
Miguel - meio-fío, alto cirurgião das partes baixas

é o que devo ao caráter, à sensatez e gerência da Fátima
por eles me fiz precisar e ora tenho o gosto de ser gostado
com as ocasiões sublimes de me passar a limpo com os netos

tenho uma dívida inestimável com luiz carlos de oliveira e silva,
que de 2006 a 2015, no castelinho e depois em sua casa,
explicou os grandes pensadores e seus conceitos
com vinhos, biscoitinhos e agradinhos
que as coleguinhas levavam

pingou solvente nos nossos entendimentos
nos ajudou a ver nossas capacidades

nas melhores aulas eu dormia

devo aos professores: maria enir (em 1 mês li e escrevi), tio hominho, tia luzia,
tia maria, ti-dé, muitas saudades deles hoje, a eunice frizon, nicola romano,
irmão gregório, nadir gavião, carmelo luíses, manuel san martin (manolo),
lula e guilherme (leco) campello, elias, marcão, cézão, cândido botafogo,
padre jayme sullivan, homem que mereceu os meus maiores respeitos,
carlos moscovitch, nélson osanai irmão, joaquim schultz, anita fiszon,
ronaldo bittencourt e ivaldo gropello-cbpo, élmio e clóvis da ag,
cecília castro, eduardo baron, márcio manela, regina kriegel,
sérgio bernardes, o arquiteto e sérgio bernardo, o violinista
mariano jacon, oscar niemeyer, yedo cavalcanti (dr iodo),
josé portinari leão, joão niemeyer, mozart, adeline,
paulinho césar, sílvio, anne lore, paula laclette,
sérgio costa, sérgio magalhães, engenheiros,
lúcia monteiro, carl hilmer bem querido,
cláudio poubel, célio e henrique da sap,
joão pedro, toni, ernesto michelin,
ronaldo câmara, mauro esteves,
flávio vasnievisky, sérgio klein,
walter zollinger, afonso falcão,
pedro cortes, dick welton, lê,
fernando tasso fragoso pires,
francisco ney, edilson rocha,
6são, maria d'alva e divina,
padre zézinho, miudinho,
na marcenaria em 61,
deivison e ed wilson

ainda lembro mais

tenho um pouco de cada um
e muito de todos

foram ótimos momentos
com boas pessoas

folguei e fui ingrato com alguns
pois me aturaram e me alçaram
de cada um tenho uma boa história

tantos se foram, daria meu lugar para vários
meus erros pago, não apago
também fiz coisas boas

...

devo demais aos funcionários, bons parceiros e amigos:

ana, heleno, gilson (quase filho), sandra e cristiane, lena (com louvor) e geninha
com vontade, ajudaram de verdade, só me deixaram boas saudades
gostaria de ter ficado com todos, acho que topariam

e aos autores que li e não vou citar
pra não faltar com nenhum nem ser classificado
mesmo porque não gostei de alguns

agora em poços tive a sorte de conhecer maria inês e joãozinho, a padeira glória,
o velho dos livros velhos da jaçanã dos santos, pompeu, jamil, seu antônio,
bin laden, todos da mina do cambará, o beca vivido (já foi), lucas, jair,
zé brechó da palha, jé, 80% surdo, meigo e feliz, eu grito com ele,
o queijeiro e a menina bonita de caldas que estudou psicologia,
jéssica bonita com seus 4 pedros e tantos gatos (um é pedro)
o juiz federal aposentado que me deixa chamá-lo de você,
eliane e joão, bons como suas bananas, ovos, café e leite,
nei, maria rita e o zé de santaninha, pedro balaieiro,
panamá, lembra meu pai, contador de piadas,
bodinho de laranjeiras, bem viajado
nós sabemos rir gostoso

. . .

e, se há quem nos sirva de exemplo, outros de lição

"o mundo está cheio de gente que não vale o que diz."
voltaire

tudo criticam e nada sugerem de fato
se vc quiser desenvolver uma idéia
não acompanham e emburram

temos que aceitar o que eles crêem

acusam de arrogante quem quer saber das coisas
não têm dúvidas de nada, plenos de certezas
veredictos da moda na ponta da língua
só querem saber das 'suas verdades'
incapazes de sentir vergonha
e de se divertir

se não puxam para baixo, tentam abafar
pois querem atenuar as próprias faltas
maldizer todos pra vc e vc pra todos
têm prazer em torcer contra

". . . a alegria alheia incomoda"
rita lee

parece que têm prazer na vida
de pôr uns contra os outros
mestres das intrigas

se não conseguem te manipular
é certo que vão te difamar

só evoluem em poses e dissimulação
vivem afirmando que são felizes
e ai de quem duvidar

quando adoçam a voz, é hora de redobrar a atenção
lembram de vc quando têm um negócio em vista
evidências constantes os denunciam
mas acham que ninguém nota

lembro que sempre quando eu os deixava
ia pensando: pq ele ou ela disse aquilo?
o que ele(a) ia querer com isto ?
pq não comentei na hora ?

fico sem respostas
não sei porque
sou lento

demoro a me dar conta
medo de piorar as coisas (?)
ou princípio de entendimento ?

odeiam as perguntas diretas
perdem fácil a paciência
não admitem se ver
tensos sempre
explodem

mas como a verdade sempre vem à tona
gastam energia justificando seus atos
nem eles mesmos se suportam
negam o óbvio, se fecham
mas não se olham

não dizem como usaram as costas dos outros
nas molezas das suas "grandes realizações"

fingem acreditar nos próprios fingimentos
mais religiosos, mais perigosos
e inescrupulosos

vivem repetindo amor e deus com duros olhos ansiosos
e caras arregaladas 'de quem nunca deu um suspiro'

um dia a gente pára de esquecer o que fazem
e começa a lembrar tudo que já fizeram
aí passou da hora de nos afastarmos

que alguém perdoe eles por mim
'nem sabem o que fazem'
mas sabem sim

'o mal fica com quem o faz'

" eu deixo vc me fazer de bobo, mas vamos combinar antes ! "
- ouvi de um mestre de obras a um peão, com toda graça

o que vale é ver quem vale
e quem gosta da gente
pra ficar por perto
(marcos, filho)

mind games
jl


. . .

. . .


voltando aos bons sabores do trabalho:

devo a eficiência que pude ter à agfa, fuji, kodak(c/reservas), às queridas minoltas,
fujicas 6x9 65 e 90 mm, hasselblad 501 cm e superwide, linhof technika 4x5",
rollei 35, rolleiflex, noblex, colormat, varioscope, majosix, variomat,
schneider, rodenstock, zeiss, mecablitz, vivitar, lunasix, gitzo,
time-o-lite, durst, colex e às ótimas canons digitais
ainda farei um museuzinho com todos

intel, microsoft, adobe, google e google earth + garmim xl 12
esquilo b2, robinson 22, 44, 66, hughes 300, 500, bell 47 e 206,
cessna 172, skylane e tantos outros em que voei só uma vez

suzuki, ray ban, yamaha, vitorinokia

ferramentas de talento, usei com gosto

e curti o quanto e enquanto pude:
phillips, teac, thorens, shure, harman kardon, lando
de 75 a 2011 juntei 10 metros de LPs lado a lado
pois, tudo foi saqueado na casa da mãe

hoje, sem aquela qualidade de antes, mas ainda
fragmentos de músicas ouvidas ou lembradas
me remetem a outros momentos da vida

vou ao google e youtube e a encontro completa
procuro as traduções, resgato meu direito
lembro dias longes e o que fazia então
a memória está lá esperando

o que nunca pude curtir
o que me esnobaram
agora à vontade

a curiosidade nos mantém

. . .
. . .


hoje
dou boa vida a um gato gaiato, cor de pulga, olho azul, brincalhão e comilão
e a uma gata linda, sofisticada e exigente, que resolveram morar aqui
ele, um animal ninja, avança em qualquer cachorro; é um onço
ela não suporta vê-lo brincando, logo cria caso, como sóe
mais o vilão e a intrusa que vêm pegar seus restinhos
com a briga diária pra ninguém perder a forma
pelos pêlos que voam se vê quem apanhou
quando ouço encrenca, interfiro
e tome água, vilão !

a cada dia nos entendemos mais e gostamos de nos agradar
não sabia que se podia gostar tanto deste bicho
me ajudaram a entender a paz

são treinadores dos nossos sentidos
sei seus vários modos de miar
o jeito caprichoso de andar
de atentar, pedir
e de olhar

falam pela ponta do rabo

e os tantos passarinhos que vêm aqui pra lanchar
até agora contei 19 espécies, 5 só de beija-flor
abelhas, arapuás, jataís e marimbondos
mais os morcegos grandes, mansos
nos restos de frutas, à noite

um beija-flor miudinho, velhinho, fala bem-te-vês (!)
bebe seu chazinho, senta no seu poleirinho
e fica resmungando baixinho, meia hora
deixa eu chegar a meio metro, me olha
e
se chegam os bem-te-vis escandalosos
ele os imita, discreto, rouquinho
já vi 2 vezes !

. . .

. . .

quando posso, vou aos 'sertões' desta região exuberante
conhecendo os lugares que na infância só ouvia falar,
motor 2t, som e fumaças agradáveis da motocicleta
as estradas são de todos, caminhos de quem acha
fujo de asfalto, vacas, cachorros, chuva e tombos
marco uns tocos pra cavucar um dia, paro fácil
ipês, raízes de cajaranas, jacarandás, perovas
panho goiaba, casco laranja, xêro fôia
acho boa água nas sombras, páro
ouvindo o lugar, de longe
absorvendo silêncios

me torro no sol
em espaços verdes
e bafos de terra fresca

'dias grandes, azuis e brancos'
gr

nos caminhos, roceiros(as) tranquilos
prontos a uma boa conversa
e com o que dizer

quase todos nasceram onde vivem
e já foram ao menos uma vez à 'pricid'nórt'

nas alegres chegadas, sorrisões, comidinhas e comidonas
rosquinhas e quitandas de velhinhas muito espertas
doces, linguiça frita e queijos frescos da casa
ótimos cantos pra se sentar e ficar
pão, pinga e café de verdade
nem tudo de uma vez

"_ foi bão cê chegá, tava pensando uma coisa pra te falá!"

às vezes levo uns bifes pra fazer lá
e pepinos pra salada, só

fora os bichos que admiramos ... e comemos
lambuzados de paz em ambientes relíquias
agradáveis e fraternas comunhões
comemos no sol ou na sombra
ouvindo galos e regos d'água
aparecem boas visitas

nas cozinhas, onde as melhores recepções
quando não acho uns restos, fazemos

as caras das crianças me deixam seguro

gostam de minhas histórias
degusto seus 'causos'
nos interessamos

lá sou tratado como super-herói
pois morei no rio de janeiro
'é muita coragem !'

caipiras cheirosas, saudáveis, vigorosas, frutas do campo
ativas e 'orgânicas', desbancam qualquer feminista
não precisam provar nada com caras de sabidas
não se vê poses, só as maneiras espontâneas
não exigem atenção pois não precisam
já falam claro o que é e o que não é
conversas na intensidade certa
caras sérias que encantam
e sorrisos de toda graça
são fêmeas inteiras

sangue bom da magna grécia

"... o rir um pouco rouco, não forte, mas abrindo franqueza quase de homem,
sem perder o quente colorido, qual, que é do riso de mulher muito mulher,
que não se separa da pessoa, antes parece chamar tudo pra dentro de si."
guimarães rosa, o insuperável


umas manuelas sacudidas que me deixam sem jeito
uma rafaela que chega bonita na sua égua 'catita'
uma thaís que pilota trator; ara, planta e colhe

o que a gente fala tem boa volta, o que se ouve se aproveita
sem 'climões', ainda não vi perturbadas ou 'tarjas-pretas'
nada de olhares tortos e nem conversas evasivas
e lá não se ouve as terríveis risadas ardidas

não há ecocôlogistas comendo transgênicos

os homens chegam tranquilos
trazem e dividem paz
rústicos e puros

um dia um velhinho disse ao me ver:
"chegou o homem verdadeiro !"
ironia ? não mesmo !
desconhecem isso

é porque gosto de esclarecer como posso
o que não tiveram a chance de saber

e ouço confidências deles
chegam assim: 'vc que é vivido' ...
e nós trocamos experiências e valores
e devolvo que bem vividos e sabidos são eles
em comum, estratégias e habilidades de sobrevivência

se soubessem que sou eu que aprendo mais ...

"bobo é quem pensa que caipira é bobo !"
c pires

suas casas simples e bem posicionadas
abrigam com conforto e dignidade
vidas simples de muita riqueza

difícil é ir embora, sempre um café a mais
saudades plantadas, volto carregado de ecos:

. . . 'num demora não ! ' . . . ' vem pra posá ! '

um dia me ligaram: ' teu' doce tá pronto ! '
só porque elogiei uma laranjeira

não fotografo estes rostos, estragaria, só lembro
não tenho a soberba dos medalhões posudos
nem a cara de pau dos photo-marketeiros
que vivem de explorar estas purezas
em troca de um boné ou camiseta
faturando em cima depois

ando por lá menos do que gostaria
pra não cansar as hospitalidades
nem aguar minha graça

a satisfação supera o desejo

...
. . .

peguei gosto de ir ao cemitério
muitas árvores e sombras
pra se sentar e pitar

é campo de passarinhos

no silêncio,
a atividade civilizada
são afastados rumores
de vivos sempre atrasados

dia sim dia não, o mercadão
na feira de sábado a via sacra
sorrisos de bons reencontros
alguns me esperam pra falar
e, 'vêis in quando', convidar

lá também vejo as afetações dos privilegiados
as constantes lamentações dos remediados
os desejos de integração dos excluídos

outro dia, quis saber de um ex-carreiro, 93 anos
que viveu e ainda pensa e fala só em léguas
(tem 'légua das grande' e das 'piquena!')
magro, anda mais rápido que eu,
o que perguntei:

_ qual era a velocidade de um carro de bois,
quanto o senhor andava num dia de viagem ?

ele parou, olhou pro chão ... pra mim,
e disse mansinho:

" _ O boi anda na toada da cantiga do carro ! "

calei a boca e guardei - nunca esqueço - marcou

...
. . .


hoje meu relógio é devagar, a semana é que se apressa,
os anos agora só mudam de nome ou número
me atento à lua e às estações

"nada é definitivo"
n. osanai

se ainda conseguir me reabilitar e me alforriar
vou queimar gasolina no norte das minas gerais
antes que aquilo vire uma imensa fábrica de soja
e se ainda tiver tempo, 'costurar' os andes
com carrinho novo e boa companhia

nas sensações do convalescente
um mês, um ano, o que for
seguir uns rios inteiros
catar umas pedrinhas
ver mais serras
e as veredas

acho que desta vez
vou saber fazer

ficar quanto quiser onde e o quanto puder
andando e parando conforme a vontade
conhecendo gentes e mais gentas

passei a vida viajando rápido
sem saber se indo ou voltando

"... meu filho, toda pressa é maldade ! "
(rosalina para lélio, gr)

já tô vencido e nem ligo, ainda consigo
tô que nem carro véio de pedreiro
cheio de defeitos mas sirvo
posso terminar a obra
e minha garagem

. . .

. . .

nos meus começos havia falta de orientação
só tinha seleções pra ler, mas idéias eram criadas

quando criança pensava no universo visível
sendo os átomos do fio de uma faca
de um gigante ... sem ir além

tenho tanto este direito como
o bam bam bam que disse que
só conhecemos 30% deste espaço
como ele sabe que existe mais 70% ?

e este todo dele estaria em um imenso vazio ?
além dos seus 100, "um precipício" ?
. . . parece idade média
é muita cara de pau
não dá

e o tempo, é coisa da mente
mania nossa de medir tudo

a dinâmica não tem limites
é dinâmica
e começos? quem sabe ?

só existem afirmações de graça
evidências são pra quem pode ver

pensar é definir os estímulos que nos atingem
cultura é o conhecimento bem peneirado
bom senso é admitir o que pode ser
descartando o que 'tem que ser'

. . .

imagino a vida como um livro que carregamos debaixo do braço.
se temos tempo ficamos relendo as melhores passagens
desatentando às partes desagradáveis que estão lá
ora vendo as figuras, ora revendo com coragem
reavaliando as velhas interpretações

e nunca o folheamos em ordem

a gente pára em certos trechos
em atenções mais frias
as cruas conclusões

senão não valeu nada

as páginas ainda em branco
não podemos contar

mas ganhamos
e escrevemos
uma por dia

é o que penso que sei
e sei que bem mais
é o que não sei

a vida nos impulsiona com fatos
que vivemos, comparamos
e vamos em frente

pois já bati e já apanhei
feri e me machuquei
desde os 4 anos

com cuidados que as convivências exigem
pensar um pouco no que aceitamos

são processos em andamento

e saber o que não se precisa
é o que se precisa saber

.
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