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{ quem somos }

...

quem somos, quem fomos

"viver é ver as bobagens que a gente fez até o dia de ontem" gr
e sempre achar que se vacinou contra novas besteiras

a gente vive pra entender depois o que não acredita agora

hoje aceito 'a própria instalação do windows'
convivo com as configurações originais
pois, são as que enraizaram

ora com menos recursos e excesso de alertas

mas agora que fiquei pronto pra aprender

pela facilidade com que fazia as coisas
desvalorizei minhas capacidades

eu, paulo romeu pereira bissoli, filho de romeu julieta bissoli
e maria da luz pereira bissoli, paulistas da noroeste,
nasci em poços de caldas em abril de 53

tive infância e adolescência 'normais', muita rua, matas e campo
aos 7 e 8 anos virei coroinha: achava bonita a solenidade da missa
decorar respostas em latim, acender e apagar velas, tocar campainha,
segurar patena para conhecidos e familiares, as becas mofadas e fedidas

mas o melhor da coisa: ajudar missa na roça
era um belo e gostoso passeio de jipe
e o almoção oferecido ao padre
todo fim de semana

conheci várias fazendas

daí, induzido, aos 13 fui pro seminário
disciplina, aprendi mais que o currículo
fiquei um ano, vi que não era minha praia
e voltei à minha vidinha 'civil', livre, natural

atrevidamente precipitei o resto: saí de casa aos 16 1/2
época de 'expansividades patrióticas', medo de sumir,
'integração nacional' (da globo), dom e ravel
um frávio cavalcanti aliciando o país

saí sem base ou garantia e mal sabia fazer fotografia
pois não conseguia me harmonizar nas escolas
interessado por tudo, não conseguia estudar
sempre me sentei perto das janelas

caipira, "precisando" me informar, li o que me caiu às mãos
sem cultura cultivada, li muita porcaria recomendada

gosto de livros, rádio e cinema, sempre fui avesso à tv
tenho uma mochilinha de conhecimento bagunçado
em que acho o que me vale, às vezes

a desorganização me acompanha e assumo

. . .
. . .

o planeta com 2,5 bilhões em que nasci, hoje tem 7,8
o consumo e os hábitos mudaram 'um pouquinho'
vivenciei muitas transformações, outras nem vi
mas sei que muita coisa é a mesma coisa

em partes críticas da história, regime militar
procurava avidamente uma estabilidade
que me garantisse o básico, seja:
comida, teto e existência

daqui posso me arriscar a definir
o que aprendi com o que vi
mesmo que demore
ou nem consiga

. . .

a palavra mais densa já criada é - merecimento -
a desordem atual é espuma suja sobre ela

'esquecimento' é ferramenta social

'crescimento', muito substituído

. . .

o que incomoda: os protocolos da hipocrisia

ecocôlogistas e ambientalistas xiitas (o que for)
que só sabem dar alarme e se 'indignar'
nunca olham para seus gastos
dissimulam seu consumo
'não cagam'

há o aquecimento global ?
aumento populacional
e indiferença social
'é meu direito'

vendo uma paisagem-ruína depredada
plantações da monsanto ornadas de brachiária
dizem alto e sonsamente: 'que verde, é a natureza !!!'

restrições ao aumento da população
é assunto maldito; 'que horror!'

o comércio de água e suas marcas irônicas
são abusos aceitos por estes espertos
que fazem auê por canudinhos

no alto, faturam com a 'crise hídrica'
o planeta esqueceu de aumentar a chuva

muita maldade mudou para nomes modernos
exemplo maior é a tal da 'qualidade de vida'

novas regras inventadas já infectadas
e os nauseantes termos 'adequados'

bem melhor seria que vigesse uma moda do 'humanamente correto'
'bem estar' hoje é o nome da seção de psicotrópicos nas farmácias
veneno brabo era agrotóxico, ora piores se chamam 'defensivos'
o 'meio ambiente' não inclui favelas e enormes bairros pobres,
casas sem cara em áreas inundáveis, os terrenos sem quintal,
cachorros demais, moto-entregadores voadores, o barulho,
condomínios de altos muros e porteiros de baixos salários
urbanização meia-sola, pouca civilidade e ordem social,
tantos rios envenenados, lixo espalhado, maus cheiros

curriolas revezando-se nas cadeiras, justiça conivente,
homens públicos agindo como se mulheres públicas
hienas eleitas que só pensam nas boas mordidas
facilidade com que aumentam suas vantagens
o estado absorve quase a arrecadação toda
planejamentos míopes, efeitos ignorados
esmolas sociais eleitoreiras viciantes
2.500 obras federais paradas
inflação-saque perene
as bocas família

transgênicos sociais

é triste ouvir empolgados dizendo: "voto consciente", "transparência",
"regulamentação", "políticas de apoio", 'instituições democráticas',
"mecanismos eficientes", 'sociedade organizada', 'comunidade',
"passivo ambiental", 'cotas de carbono', "interesse social",
'produto artesanal', 'diet', ligth, direitos adquiridos,
'patrimônio do povo brasileiro', 'biodegradável',
'medidas efetivas', 'ajudas emergenciais',
'desenvolvimento sustentável',
'o povo sabe o que quer',
'nossos colaboradores'
e tantas assim...

mas o pior: 'o petróleo é nosso!" (é deles)

cria do gaúcho, ainda está por nascer
o macho ou a macha que mexa na pétobráis

no rio, na prefeitura era proibido falar favela
correto era 'área de especial interesse social"
em 2004 tinha só 700 delas, hoje mais

. . .

reflorestamento é uma prática escandalosa
se vc entender como e para que é destinado

reflorestamento de fato são raríssimos
e aparecem na tv como prática atual

na mantiqueira cortam matas nativas
para plantar pinus, o estado ajuda
projetos fantasiados

acho uma palhaçada os tais alimentos orgânicos
dos 5 aos 14 anos eu cuidei da horta de casa
colhia legumes mais viçosos que estes
na pura terra do quintal

ora, quanto mais mirrados, mais caros
dá desgosto ver e aceitar isso
e os sonsos defendem

estamos com os sentidos ressecados, a visão confundida
pratica-se a esperança que as coisas melhorem um dia
tantos acreditam nas promessas de outro mundo
'garantidos' que terão outra vida melhor
e cuspindo no prato que comem

outros embarcam em fantasias

o que evoluiu de fato foi a propaganda

acreditar num mundo melhor à frente
é forçar muito a barra
só fingindo !

resguardados por tantas seitas
a viabilidade do 'vale-tudo'
os bandos de míopes

pregam muitos preceitos
e praticam malfeitos
os 'eleitos'

. . .

nossa terra:

projetos de sobra, e
folgados irresponsáveis
que fingem que trabalham

"ah, mas eu vou todo dia ! ..."

mais gente, tanto mais problemas
aumento diário dos contrastes

eu compreendo
o país é muito pequeno
sem espaço para cidades humanas
e na nossa capital só se vive no irreal

este progresso é a pura decadência
estatísticas são só encomendas

vejo aqui e por aí
áfrica central e coréia do norte todo dia

fujo de conversas empolgadas

numa escola de bairro daqui
cresceu capim e apareceu uma cobra
a diretora chamou a rádio pra denunciar
a palavra final foi da secretária de educação:

"ah, mas o homem que limpa está cumprindo licença ! "
pela voz mole e adoçada imaginei a perua perfumada,
seus benefícios são maiores que as crianças
. . . essas professoras não entendem ! !

e a rádio encerra o assunto
dá por bem feito seu trabalho
como sóe aqui e no mundo afora

os pais bem podiam fazer mutirão e limpar
se a dilma voltasse criaria a capinobrás
não faltaria emprego nem regalias
(saudade de seus discursos)

mesmo sem ela chegaremos à brasilbrás
um dia, o estado autossuficiente
ficaremos todos resolvidos
só na moleza

mais esta que me enjoou:
numa escola na zona rural, modesta e bem feita
eu suponho que tem 4 salas boas no máximo
passei por lá numa manhã, vi e contei
18 déz-oito! carros novos e bons
de foncionários, claro
poços tem + 7500

e eu tinha vontade de fazer
algo por esta escola

continuando,
o brachiária sufocando os nossos biomas
extensas monoculturas depredadoras
especuladores em todas as áreas

medidas-crime oficiais, desrespeitos,
onde tudo 'vai ser investigado'
pilhas de inquéritos
fica nisso, só

'a justiça não pode existir onde a política domina.'
ez

"nossa economia é sólida", 'o povo sabe o que quer'
"vivemos numa grande e sólida democracia"
que o digam os coronéis oligarcas
e seus partidos sujos

quem fala 'em nome do povo'
fala é por si mesmo

privilegiados natos e profissionais
'malfeitos' e tramóias de alta rotatividade
a cada ano se esquece (eu não) das anteriores
aproveitadores sem escrúpulos e insolentes impunes

repórteres boçais com perguntas bobinhas e combinadas
oportunistas dando respostas sonsas e definitivas
sempre prometendo enérgicas ações
assuntos esquecidos

quando com um pobre coitado
eles não têm escrúpulos em apertá-lo
terminam a matéria com carinhas ensaiadas
de aprovação, censura, 'que horror!' ou 'podem rir'

jornalistas vendidos e tantos ingenuamente cooptados
transparência agora é só uma salada de opiniões
cultura é marketing capciosamente evoluído
nas redes, a revolução evapora em 2 dias
em selfies nas mesas de butecos

fora algumas licenças para bagunças
tantos afetados conclamando ação
ativistas incitando desocupados
ostentação de intenções
purga de fracassos

tudo forçado

governo é o mandato do legalmente eleito
1º ano, ajeitamento de seus coleguinhas
leilões de cargos, cadeiras e boquinhas
que levam batalhões de puxa-sacos
no 2º, abafamento de escândalos
3º e 4º, cuidar da sucessão
com idéias populistas

o negócio são os negócios
as farras são tradição

pelas duvidosas propostas e as bravatas na hora do brasil
dá pra ver que nada é real e espontâneo, só interesses
temos o direito de escolher uma mentira ou outra
em vozes boas, bem treinadas e 'calibradas'
entrevistas nojentas, pernósticas
falam como se em 'outro país'

alguns até parecem 'padre chorão'
'para que possamos ...'

as instituições e estatais nos asfixiam
cada dia mais gordas e 'corajosas'
'zelite' irresponsável e vaidosa
querem nem saber ...

"a prefeitura engorda a gente"
ouvi na feira

a constituição visa o fortalecimento do estado
raquitiza a nação e nosso prometido futuro

"o governo se atribue a exclusividade do roubo"
saint-hilaire, humilde, culto, virtuoso
e clarividente, aqui em 1822

as religiões cuidam do "crescei e multiplicai-vos"
os donos do mercado aplaudem agradecidos
os crediários amaciam os costumes

escolas genéricas, indignas e semi-inúteis
fabricantes e distribuidoras de canudos
vendedoras de sonhos-loteria
indústrias de esperanças

das boas que temos
seus melhores alunos
são laçados pelos gringos

somos ainda uma grande colônia de simplórios
ora multinacional (êlis dá imprêgu pá nóis !)
nóis num priciza dizinvorvê mais nada
a modernidade nóis compra pronta
minério, mío i soja nóis izpórta
baratinho mais sérvi
'entra' as diviza !'

... que usamos para comprar todos os insumos,
sementes e implementos que eles fabricam
aqui mesmo, pelo preço que querem

mas ainda sobra pras 'caminhoneti'

drenagem perene, colonização evoluída
eles vem com dinheiro tirado daqui
ganham incentivos oficiais
e exportam os lucros

i nóis báti parma !

a coca cola extrai nossa água do nosso subsolo
vende pra nóis mêmo, inda pôe na garrafa:

"o melhor do brasil é o brasileiro" (água cristal)

atletas bombados e tatuados, modernas 'ativas', apressadas
andando por aí com a garrafinha na mão

mundo-mercado, nações-fábricas

"nóis atrai investimentu iztérnu"
isso é o supra sumo da inguinorânssa !

e o lucro gordo, que sempre foi embora,
deixa os empreguinhos, os graças-a-deus,
a sujeira, ruínas e pixulecos nas mãos certas

as mesmas mãos que carimbam as 'licenças'
que dificilmente são dadas a nós, cidadãos
talvez, justamente, por sermos pobres

espelhinhos e brinquedinhos nos bastam
discursos enrolatórios nos orgulham
nóis num crésci, a genti inchamos
e ainda enaltecemos os espertos

"eu vi um homem que viu o mar!"
dito ibérico de 1000 anos

. . .

'cidades sem alma, amontoados de gente'
p.

. . . rescendendo a lixo e esgoto
calçadas podres, ruas esburacadas
uns asfaltos que são uma tinta preta
onde brotam buracos que viram calombos

loteamentos crús, terrenos ridículos
(nosso território é muito pequeno!)
edifícios caixotes para 40 anos
insegurança, cercas elétricas

isso é u qui nóis chama di pogréçu !

pilotos de corrida soltos pelas ruas
polícia forte e 'bem controlada'
viciados e ladrões à vontade,
combinações sem medidas

a 'natureza' aparece bonita na tv
os sentimentos nos filmes
isso basta e satisfaz
fiquem em casa!

folgados embarcam num rebanho
e dão uma olhada, às pressas,
nos lugares da moda

e voltam elogiando os gringos
sua limpeza, organização
e suas 'boas vidas'

depois, aqui
se aproveitam do próximo

humanidade trincada por fanatismos
pobreza mantendo a produção dirigida
privilegiados sonsos assumindo 'virtudes'
protegidos alegres travestidos de patriotas

o planeta 'sustentável' é o mesmo pra todos
e os que mais consomem e transformam
são os que mais apregoam cuidados
falando alto pra serem notados
com as cínicas normas
tendo, se bastam

em 'projetos sociais' acham que se lavam
acomodados, indolentes, convictos
em 'belas' poses, com fotos

ouviram o galo cantar e não sabem onde
são e sempre foram os "caga-regras"
agentes do continuísmo

amargam as belezas do mundo
tiram sua graça, os sem graça
e suas crianças esquisitas

pois há irritação, insolência e deboches
com quem procura chão limpo pra pisar

se infestam os centros de consumo
só mesmo buscando alguma paz
onde ainda pouco alcançam

encontre quem puder
fique quem souber

. . .

. . .


o que antes me irritava ora me interessa
os inversos também explicam

tudo se aproveita e aproveito o que posso
quanta coisa vejo que nunca vi

por outra, ora suporto os atuais chatos
pelas lembranças do que já fiz

é como uma equação matemática
que elimina as redundâncias

saber perguntar é o melhor saber
principalmente a nós mesmos

para poder aprender a ver de fato
o que nos ensinaram 'adequadamente'

atentar, ver, entender e se 'vacinar'
contra o que querem que acreditemos

constatar que o mais proveitoso
é definir o que a gente não precisa

estimo nossas faculdades
vivo a vida que ganhei
e valorizo

"modesto é o vaidoso escondidinho atrás da porta"
ouvi numa reunião no rio

. . .

. . .


fiz este site em 96/97 pra ser 'meu lojinha'
queria divulgar os trabalhos da hora
minha vitrine com curiosidades
e falar sobre o que via e sentia

quem se fecha cria mofo

era o tempo dos jornalecos de bairro
com matérias de alta boçalidade
e tendenciosas subjetividades

por comentários de uns amigos
achei o gosto e tomei gosto
de me entender

"no espelho da visão está a segurança da verdade"
- do código visigótico - teodorico - séc V

reformado em 2005 me serve até hoje
logo desmonto, também cansa
aqui, só 'pelos finalmente'

. . .

fundamos a my zoom fotografias ltda em 1990
eu e um colega mais interessado, o incitador
que se mancou e saiu em um ano, paguei

tive muitas propostas na vida
só agora me dou conta

e

em 2014, na jucerja, 'garfaram' o nome que inventei
disseram que já existia, insisti que era eu mesmo
2x a mesma resposta, sem outras explicações
fui vendido e comprado, perdi a my zoom
meu contador nem foi lá ver o porquê
e eu nem seria atendido se fosse

ainda tive que dar 500 reau
pro fiscal me entregar o novo alvará
que estava pronto na gaveta, ou nunca estaria

a firma está inativa e à deriva desde 2015
a sêca de trabalhos começou em 2008

encalhei, quebrei e nem liguei
também já estava cansado

não nasci para me atentar às exigências oficiais
trabalhar bem foi meu maior e melhor direito

"o governo não é a solução para nossos problemas.
o governo é o problema ! "
r. reagan 1981

" . . . isso é jogo 'robado ! "
n. nahas 1989

ao menos fiquei com o domínio do site

. . .

nunca freqüentei nenhuma rede social
não me inscrevi em blogs ou vlogs,
não entrei em nenhum grupo

tenho medo de me envolver
e de ser envolvido

não torço pra nenhum partido político
não bato palmas para 'simpáticos'
não frequento platéias

'na multidão, contra mão'
t j

há tempos inverti meu interesse

cansei de querer saber de todos os novos termos em inglês
ora acho gosto em me atentar às origens
mesmo nos textos modernos

. . . e os antigos são atuais

não me incomodo mais com críticas
de quem só conhece as coisas prontas

. . .

'funciono' com email,
o mesmo há 26 anos: promeu@myzoom.com.br
estou com o tel 35 99872 0972 - só whatsapp
nem ando com ele, olho de manhã e à noite

ficou caro e complicado
manter o do rio aqui, e mais um
com operadoras ardilosas e vorazes

outra :
mostraram-me um paulo romeu no facebook
montanhas ao fundo e um 'fernando pessoa' de chapéu
não faço idéia de quem seja, mas conheço quem seria bem capaz

. . .
. . .

o que andei fazendo:

fui pro rio em 71 por gostar desde 1960, ia nas férias
em 65 andava sózinho entre ilha, ipanema e tijuca
vi os últimos tempos do rio de janeiro agradável
os bondes, a maresia ainda com cheiro bom
e o das amendoeiras no início do verão
bem poucas e pequenas favelas então
a rádio mundial que nos excitava
música da época bem inspirada
o feijão preto com carne sêca
bons butecos pra se comer
um bom pasquim pra ler
o sotaque das meninas
suas roupas bonitas

mas vi que era diferente naquele meio
tiveram escolas melhores que eu
mas criados dentro de casa

pois, ouvi mais de uma vez:
"gosto muito dessas coisa de natureza!"

e disputei espaço e chances com eles
demorei a assumir minha caipirice
que depois até me ajudou

ganhando bons salários, dignos na época
a vida chegou sem me explicar nada
logo enrosquei, tive de dar conta
das necessidades que criei
descartando sonhos

tive a sorte de conhecer e conviver com 3 bons amigos
wilson moura, carmelo luises e rodezir martins
fotógrafos e laboratoristas maduros
verdadeiros irmãos mais velhos
informados e muito vividos
p... velhas do rio

primeiro imitando-os pude evoluir mais fácil depois
com eles mergulhei bem mais fundo na profissão
pois comecei a formar a base que me faltava
a iniciação que tive em são paulo foi fraca
sem eles seria sufocado ou massacrado
por invejas, preconceitos e assédios
que sempre me foram intensos

...

na profissão havia que aturar os interesses
e muitas tentativas de aproximação
pela vida de fotógrafo

nunca me achei artista, mas técnico criterioso, apaixonado pelo ofício
uma profissão que é muito atraente e prestigiada, mas de folgados
em cinco anos já podia rir dos 'sabidos' com décadas de prática
contemplador e preguiçoso, inventava novos métodos
pelo que passei por muito despeito e chacotas
mas consegui mudar costumes

vendendo trabalho e dando interesse grátis
perdi a vontade de acreditar no que vejo,
sei como mostrar, como se mostram,
e como fazem pra se mostrar
sequei minhas ilusões

não fui fotógrafo de capa de revista
(mas tive foto em página dupla na veja)
por necessidades básicas priorizei a rapidez
evoluindo pontos de vista, boas cores e nitidez
minha experiência em laboratório foi primordial
ampliava e analisava as fotos de pessoas diferentes

e o interesse trouxe vivências
fiz muitas capas e miolos de folhetos
fotos ilustrativas para 'bem intencionados'

após um trabalho elogiado para faturar sucesso
no dia seguinte estava ansioso por outro
não digeria minhas evoluções
precisava do da hora
na corda bamba
sempre

eu sei o que passei

. . .

três empregos e um filho
comecei minha carreira solo
com equipamento emprestado

o que fiz de útil:

atividades resumidas, na minha versão
há muito mais que evitei falar aqui
e que faço questão de esquecer

saí de poços em 70
fazia eletrotécnica e
não suportava a escola
já sabia revelar em cores
1 ano em sp e ribeirão preto
de mochila desci no rio em 71
com 50 mangos que a mãe deu
(um prato de comida era 3,60)
havia o emprego que escolhesse
mafra, multicolor, meus mestrados
fui atrás de meus próprios trabalhos
pasta de fotos sob o braço, downtown,
em 75 já tinha bom laboratório próprio
sérgio dourado nos deu o maior impulso
aprendi a iluminar maquetes nesta época
então não precisava mais procurar clientes
nem fuji nem kodak: sou cria da agfa-gevaert
fui fotógrafo e colunista policial em jornal de sp
trabalhei na cozinha das notícias, vi os processos
'di menor', empolgado mas inseguro , fui demitido
sem mágoa, vi o que me ajudou aprender mais tarde
lá também fiz muito casamento, formaturas e festonas
fui piloto acrobata de colormat, varioscope e durst 1000
era fera nas ampliações, fiz muito trabalho pra medalhões
em 74 já sobrevoava o rio e o brasil com, pela e para a votec
fotografei muito avião e helicóptero de helicópteros e aviões
registrei as sondas P3 e P5, as pioneiras da bacia de campos
mpm, standard, kastrup, mccann, jwt me deram trabalhinhos
em 73 fotografei toda a fábrica nacional de motores, a fênêmê
fiz laboratório pra jacques van de beuque e o marcel gautherot
era amigo e provedor de ampliações de paula laclette, botânica
de 73 a 83 servi à 'pétobráis', terceirizado, fotografando de tudo
tudo que ela terceiriza e diz que faz, as realidades próprias deles
pude entender bem como funciona seu lema "o petróleo é nosso"
vi luxos, buchos e caviares que ainda me revoltam, mas precisava
frequentava o 20º andar, e entre outros eu fui algumas vezes ao 24º
no 3º escalão 'fui convidado' a doar uma moto: dei o capacete e saí
de 78 a 2002 ajudei 'seu' oscar niemeyer a apresentar os seus projetos
suas observações claras me ajudaram a evoluir melhores pontos de vista
fotografei para as maiores empreiteiras e grandes escritórios de projeto
com fotos verticais ajudei numa dúzia de viadutos e dezenas de canais,
duplicação de estradas, urbanização de praças, de favelas, loteamentos,
centenas de kilômetros de "terra incógnita" para linhas de transmissão,
era no tempo do landsat 3, detalhes no chão só podiam ser adivinhados
complexos industriais, esportivos e penitenciários, terrenões, fazendas,
fiz até 500 km2 de área urbana em 1:2000, 150 km de valas em 1:500,
vielas para asfaltar, becos, questões de divisas, encostas ameaçadoras,
bacias assoreadas, vazamentos de esgoto, aterros/lixões clandestinos,
projetos de anel viário, novas avenidas-canal e planos de recuperação
de 91 a 2015 fiz fotos verticais pra quem sabia que eu fazia, ajudei na
rapidez dos projetos pela nitidez nos detalhes, evoluindo o que podia
estratégias de intervenção e técnicas de manejo se fizeram mais fácil
minhas hasselblads normal e superwide, e fujicas 6x9 esquentavam
pedi autorização a famigerados para fotografar nos seus territórios
entrei de moto, só, no grotão da penha para concorrência de obras
de dt-180 novinha, subi as vielas, falei com os 'caras', e fotografei
um major pm, do serviço de inteligência, foi em casa e me pediu
uma palestra 'com máscara ninja'; eu disse pra ele ler os sertões
de 81 a 83 inventei molduras auto-adesivas, montei uma fábrica
no pé do morro do alemão, tive 15 escravos, 25 mil peças/mês,
inflação de figueiredo e dumping dos concorrentes, quase fui
em 78 ajudei nas exposições do 'programa nuclear brasileiro'
até almocei em churrascarias junto aos tecnocratas e coronéis
ria com eles pra não perder os gordos trabalhos que ganhava
e fotografei todas as frentes de itaipú para o relatório de 79
também montei uma boa exposição na barragem de furnas
fui 2x à escolinha do prof raimundo a serviço de um 'aluno'
fotografei 70 fazendas do tempo do império p/ um livro chic
comi frango em algumas antes de virarem pontos turísticos
fiz a produção e montagem de painéis no espaço lúcio costa
e claro, do espaço niemeyer também, trabalho inesquecível
os painéis duplos do memorial jk, descartando a manchete
e pro oscar fiz quatro exposições abrangentes de sua obra
fotografei e filmei o engenhão, da fundação à inauguração
quando vi que era um cineasta de terceira, só penso foto
prédios prontos e em obras, podem ter sido mais de 200
para o banco central: exposição eco 92, a nota do gaúcho
fiz 70 painéis da exposição 'arquitetura de terra' no mam
festinha no oscar, despedida de uns arquitetos franceses,
me contrataram para registrar a pequena reunião, então
bebi com darcy ribeiro, vinho do melhor, o quase porre,
empatamos no falatório, de religiões às mulheres, claro
oscar com os franceses, de olho na gente, quase ciúmes
ele sempre pedia pra eu contar minhas viagens de moto
não dele, já recusei uma 'boca' no ministério da cultura
agradeci, vi que teria de usar coleira, ficar à disposição
no tempo do 'zé do mé', quando tinha muitos clientes
tempos em que secretários me agarravam pelo braço
governador me mandava emissários para 'furar a fila'
voei a região de presidente prudente pro incra 'lotear'
entre 86 e 91 trab... me diverti com o sérgio bernardes
por alguns anos fotografei os projetos do cláudio, filho
em 83 e 84 fotografei enduros em praias e montanhas
nas trilhas esperava os machões passarem e registrava
agora vejo, me divertia bem mais que os competidores
e aprendi o outro lado dos homens e as suas máquinas
quando caíam, perdiam: "_a moto não me aguentou !"
acompanhei as obras de 5 trechos e estações do metrô
de parati a campos perdi a conta dos vôos que fizemos
'inaugurei' o abastecimento do aeroporto de cabo frio
de 78 a 83 pratiquei pequenas esculturas em madeira
tive que parar pra não parar de remar, senão parava
fiz fotos aéreas para univ. harvard - landscape dept
(um jardim do burle marx na fazenda marambaia)
de 85 a 2015 vi muito lixão 'virar' 'aterro sanitário'
fotografei expansões e revitalizações de shoppings
reproduzi arte contemporânea para galerias tops
a pedido do oscar, fiz as bandeiras do parlatino,
fotografei p/ a coppe, lab hidrologia, ime, iplan,
dei uma aula na uerj sobre foto-interpretação
colaborei 10 anos nos projetos do chacel,
20 anos c/ sérgio dias e ricardo amaral
comecei um livro com joaquim levy e
o escritório de burle marx em 2014
levei-o a almoçar no meu buteco
e dilma me levou o joaquim

e o mundo se me afastou
já era a vez de outros

. . .

em 2015 foi pro lixo meu arquivo de cromos e negativos
em 2003 cheguei a oferecer para o arquivo da cidade
"não tinham recursos e pessoal para catalogar"
os filmes mofaram, salvei as digitais

de 2000 pra cá enchi mais de 200 CDs e DVDs
e, em HDs externos tenho 2,5 Tb

as fotos que fiz tiveram finalidades práticas e políticas
algumas das quais refaria com melhores critérios
por orgulho e merecimento de causa

outras (e foram tantas) eram feitas só pra inglês ver
muitos trabalhos foram para ilustrar projetos
que se sabia destinados a ser só projetos
para uns dizerem que realizariam
e garantir novas verbas

tenho vergonha ainda disso e certa raiva
fui um peão muito usado em altas partidas
conheci gente ruim, os viciados em espertezas

participei de reuniões em mesas 'importantes'
via como os escrúpulos eram descartados
nas animosidades da vis criações

fiz eventualmente algumas fotos bonitas, pois naturais
nos translados a um objetivo, curtia singularidades
e exibia as que gostava aqui

mas o dinheiro vinha mesmo era das fotos feias
tragédias ambientais, favelas, lixo, erosões, assoreamentos
obras coloridas para o povão, catálogos de vendas, reproduções

de graça eram fotos de pedras ameaçadoras nas encostas,
fotos de poluição evidenciando causas, nós de trânsito
e que os poderosos nunca gostaram de receber

e trabalhos de estudantes, mas só pra alguns
mauricinhos e patricinhas podiam pagar

uma vez fui chamado por um barrageiro velhinho
que ia fazer uma pequena usina hidrelétrica
tão bonzinho que lhe ofereci as fotos
que já tinha prontas de outro vôo

achava muita coisa fácil, noutras nunca levei jeito
mas justificativas não explicam nem justificam
gostava de fazer duas coisas ao mesmo tempo

trabalhei pra mocinhos e bandidos
entreguei muito serviço medíocre
não podia escolher clientes
euieu pelos meus

"paulinho: vc vende um tempo que não te volta mais
por uma moeda que não corre nas tuas veias."

serjão w bernardes em 88

tinha medo de ficar sem trabalho, acho que era pavor mesmo

vender minhas habilidades e eficiência me deixava contente
com estrutura vulnerável, atrevido a missões 'brabas'
passei por muitas angústias, ansiedades e perigos
são histórias que desisti de pôr aqui
uma lembra outra e mais outra
e algumas comprometem
eu e outros

vi de perto mais do que esperava, intimidades da profissão
fotografei muita gente trabalhando de me dar vergonha
e folgados sem vergonha que só fingiam trabalhar
esses, os que mais sabem e gostam de posar
nas suas coloridas realidades oficiais

conheci umas 4 estatais
e outras tantas prefeituras

gosto mesmo é de lembrar os vôos
que fazia pelas serras do rio
sei daquelas montanhas

. . .

. . .

cria de laboratório, custou mas montei um do melhor nível
químicos originais, papéis novos, importava meus filmes
consegui comprar uma colex de 105 cm 'de boca', 0 km
vi caras e satisfações que valiam mais que pagamento

ainda tento refinar a composição, o básico
quando laboratorista vi grandes fotos
simples tomadas de instamatics

a técnica constrange a criatividade
mais hoje, digitalmente homogeneizada
mas os bons talentos se desenvolvem melhor

pontos de vista deveriam ser estudados
em todos os seus parâmetros
já no ensino básico

uma boa pré-observação ajuda no mais difícil caminho

de que adianta ter uma nikoltax fxd 700 mark III alpha b2 platinun-extra,
com uma super zoom 16~1600 aspherical-anastigmatic-catadioptric,
filtros nojentos, coletinho besta cheio de bolsos, marcas e marras
se o(a) 'ixpérrtu' (a) fica onde está e não 'rima' objeto e fundo ?

pois, eles gostam de caprichar é nas próprias poses
e evoluem a imitação do que já viram por aí
esquecem que têm pernas que andam
e que o dia tem várias luzes

a minha bronca e meus recalques: em uns três grandes clientes vi:
às vezes uns e umas, riquinhos, netinhos, protegidas de chefões
voltavam das férias com uma nikon pendurada no pescoço
faziam-se fotógrafos e simplesmente me espirravam
inventavam uns livros-brinde, folders, novas logos
às vezes até criavam um novo departamento
botavam vários amiguinhos pra dentro
fretavam os helicópteros da alegria

mas aos poucos se desmembravam
assim que enjoavam, cansavam ou
suas enrolações ficavam evidentes
os chefes me chamavam de volta

era amargo aturar estes desdéns
mas precisava e esquecia
outros supriam

. . .

pelos trabalhos vistos e o telefone é que me achavam
assim consegui me manter nas pontas uns 25 anos
ora, para mim isto é 'o mais principal'

o que fiz ou deixei de fazer, fui eu mesmo que fiz ou não fiz
do meu bolso arrisquei, contratei, realizei, ganhei, perdi e doei

sempre envolvido nas expectativas dos outros
teria feito mais não fossem as pressas
que só atrasam a vida da gente

vivia em urgências e paciências
tomei decisões esquisitas

colegas meus com muito menos bagagem
chegaram bem mais longe que eu
paitrocinados, comerciantes
e 'bem garantidos'

poucos faziam boas fotos
de um nível que nunca fiz
porque tinham mais tempo,
mais segurança, mais capricho

eu só corria

alguns vinham me 'visitar'
hoje entendo os motivos

...

nunca fui negociante, nem arrogante
não andava atrás de 'boquinhas'

hoje na idade das confirmações
creio que havia algum sentido
tudo ficando mais simples
as fichas caem sem doer

o que não entendia
já desconfiava

não sabia que já sabia

saudades de mim

. . .

. . .

a década de 80 foi minha época de maior insegurança
montei, funcionei e vendi uma fábrica de molduras
me dispus a trabalhar em condições de risco
alimentei à força as maiores esperanças

dois filhos e o preço do pão subindo dia sim dia não
o 'bom' do sarney e seus planos ocos foi me forçar
a sair às visitas atrás de melhores trabalhos

"pra poder ver seus limites há que conhecê-los"
nietzsche

"quem quiser saber, tem que viver"
ritchie

era o final dos tempos de muitas e grandes obras públicas
uma empresa carioca me abriu as portas da prefeitura
a prefeitura 'me entregou' às maiores empreiteiras
aquela só me encomendava, estas pagavam

depois elas passaram a me chamar

quando me contrataram para fotografar o norteshopping
que teria uma grande obra de revitalização e expansão
perguntei demais como queriam as fotos e ouvi:
"paulo, vai lá e faz o que vc sabe!"

foi a confiança que me veio meio tarde

. . .

na década de 90 ganhava bem, somava e distribuia

pois em 99 me atolei fundo em conflitos de afetos
sacrifiquei o que tinha de bom, inconseqüente
no início endeusado por ser do meu jeito
depois execrado por continuar sendo
do canto da sereia ao funk pesadão
febres, precipitações e recaídas
só contrôle e desconfianças
insinuações astuciosas
sutilezas evoluídas
climões pesados

mas eu nem queria ver
... só mais uma noite

era o céu com mel
para engolir fel

e nem precisava

história cara
dei o que tinha
experiência sem preço
só de longe pra entender

a fumaça dissipou e tudo clareou
vi que as culpas não existiam
adormeci bem nos alívios

então
houve transições que não acompanhei
naquelas angústias intermitentes
cego para ver, tenso pra sentir

desconsiderei as evoluções tecnológicas
colegas se afundavam e eu os desmerecia
milhões de novos fotógrafos, alguns sérios
e a fotografia digital melhorando a cada dia

quando me dei conta estava lá atrás
muitos clientes me esqueciam
o telefone ficou mudo

e os 'malditos' drones, que, brincando,
faziam bonito o que nunca consegui

procurei dominá-los mas não tinha intimidade com joysticks
frequentei aeródromos dos velhinhos e o dos riquinhos
e claro, tentaram me vender uns usados
eu já cansado de ver este filme

só poderia continuar ativo se contratasse alguns 'técnicos'
mas minha experiência com terceirizações era neurótica
além de fraco para investir em equipamentos e gente
não tinha mais paciência para tolerar moderninhos
ficar na obrigação de aturar envolvimento com
animadinhos, afetados e folgados (as, as, as)
conviver com espertinhos e puxa-sacos
nas suas simpatias bem treinadas
e produções demoradas

os que chegavam propondo voar muito alto
esnobavam conhecimentos do momento
embarcavam e eu tinha que servi-los
suas expectativas, meus riscos

financiei efervescências
criei corvas e cobros
até concorrentes

nem lembrava que era só fotógrafo

de fato, me envolviam e me atrasavam
e, se desse idéias pertinentes
atrapalhava o teatrinho

além de procurar e 'pescar' o trabalho
acabava fazendo quase tudo sozinho
tinha que buscar, estudar, fechar,
descascar, temperar, processar,
esperar que fizessem sua parte
embalar, entregar e faturar
pagar logo os folgados
e aí esperar o meu

quem virava noites pelos prazos ?
ou aprendia e fazia de novo ?

meus talentos, meus defeitos
sempre achei que um trabalho
fosse para resolver com eficiência
e não um passatempo remunerado

"todos reparam nas cachaças que bebo
mas ninguém vê os tombos que levo"

- cicinho, amigo de estrada

"... já me deram muito afeto e mais seria supérfluo.
gosto das pessoas que me fazem amá-las,
mas isso é mais difícil."

(perdi o autor, um cientista)

...

por este tempo que chegaram as 'marolinhas'
depois das sujeiras de wall street em 2008
e os 'malfeitos' que transpiraram aqui
os bons clientes reduziram e frearam
suei pra receber serviços entregues
cobrar é muito constrangedor

logo quando eu tava quase aprendendo

mas estas perdas trouxeram melhores ganhos
passei a fazer menos, maiores e mais altos vôos

prático em recomeços,
afinal aprendi a cobrar
me dediquei aos mosaicos
e então tive 7 anos tranquilos
trabalhando sem qualquer ajuda
a não ser a boa câmara e um bom pc

abandonei no armário 100 mil dólares
em equipamentos 'de ponta', obsoletos

. . .

fotos aéreas:
talvez tenha mais de mil horas voadas só fotografando
vi selva, pantanal, praias e tantas serras bonitas

vivi situações de pane, 3 de perigo maior
perdi alguns amigos para o chão

eu era conhecido por dar a proa de longe
minha fama era ter um gps na cabeça
é que desde cedo gostava de mapas
criei bom senso de orientação

e,
como os mais graduados meteorologistas
às vezes acertava a previsão do tempo

. . .

'o empresário':

quem me dera poder ter sido só fotógrafo
sem mais encrencas para olhar e cuidar

tive que ouvir, 'di grátis', de clientes 'amigos':

_"o paulo não sabe ganhar dinheiro!" (chefetes da prefeitura)

e de ajudantes bem agraciados: "_ o paulo não tem ambição!"

nunca associei fotografar e administrar uma firma e gente; deficiência nata
não conseguia 'trabalhar um plano diplomático' com nenhum cliente
a ida a uma obra longe era o bom passeio de moto e/ou helicóptero
eu era muito valorizado, me dispensavam as melhores atenções
a produção da encomenda, o orgulho da técnica que evoluí
os trabalhos, tão inesperados, cada um com seu desafio
era bom conhecer ambientes 'inacessíveis aos mortais'
eu gostava e tinha um retorno além do merecido

e eu não me cansava, ora isso me espanta

a grana era distribuida a merecedores e tomadores
achava que o trabalho nunca acabaria,
que seria sempre procurado

meus privilégios foram ter interessantes missões
direito, o de entregar 1/3 a um estado ingrato
boa parte das vezes antes de receber
benefícios, até ontem, zero
minto, tomei 3 vacinas

quanto aos 2/3 que salvava e distribuia
1/3 seria novamente confiscado

a sobra era para comprar a subsistência
que tem 40% de saque embutido

do que a gente produz
mais da metade o 'sócio' come

44 anos no rio de janeiro, às pressas
sem poder ver o que de fato fui

ainda estou pendurado na receita
por algumas guias 'esquecidas'
por necessidades básicas
não comprei nada
nem fiz farras

um dia acerto

...
. . .

mulheres: seguro é não comentar muito
aceito fácil que tenham 125% de razão

graça da vida, mães do mundo
e as deliciosas companhias
seres fantásticos

das que conheci
bem poucas vi com M
senão bobas, complicadas
nunca se abrem, mas se abrem

das que imitam homens 'espertos',
copiam o pior, as 'malandragens'
daria pena se não desse nojo

se tivessem pensamentos igualitários
seriam mais tranquilas e produtivas
sem ter que se afirmar todo dia
negando dependência

e ora entendo
que dedicação e canalhice
são inerentes aos dois sexos

há temperadas e confeitadas
parceiras e concorrentes

novos costumes deturpam os relacionamentos
vaidades, arrogância, vícios, compromissos
com todos os excessos de hoje, pois

...
...

ora, as 'mota': minha cachaça

aos 7 anos já ia na padaria mais longe só pra ver, rodear e cheirar
as '10' motocicletas da cidade que lá paravam eventualmente
bsa, norton, jawa, royal, norman (james), matchless
e as lambrettas que me deixavam doido

só em 79 encarei a primeira
e já rodei, no mínimo 1 milhão de km
nas 14 motocicletas que tive para trabalhar
e quando podia, viajar, comer peixe em arraial
fiz duas viagens longas também, ainda quero outra

foram:
harley davidson 125 79, rx 180 80, dt 180 82, xl 250 82, dt 180 83, dt 180 85(3ª),
xlx 350 87, ténéré 600 88, xt 600 95, dr 650 96, marauder 800 97 até 2021
hoje numa rd 135 emprestada, leve, esperta, gostosa e cheirosa

presente da prefeitura e da odebrecht, numa manhã quente
deram o autódromo nélson piquet só pra marauder e eu
dei 1 volta, riscando pedaleiras no chão sem caroços
achando que na segunda cairia, parei e agradeci
podia andar mais, mas acho que fiz bem
de bermuda e sandália a 195 km/h
nem encostei, sobrava cabo

...

devo e sou grato,

à minha vó maria sabina de jesus pereira (1886-1975)
neta de 'bugre pega a laço', me ensinava, aos 5 anos,
alguns brinquedos que seus irmãos faziam
com isso desenvolvi habilidades básicas
que até hoje prezo e agradeço

então inventava os meus e mostrava
e evoluia, o que mais me valia,
como valeu, e quanto

seu interesse em mim foi primordial
foi quem mais senti perder

ela contava coisas de pretos e índios
que descascavam a cana com os dentes
da sua gata que trazia jacarézinhos pros filhotes
das brincadeiras de bonecas de palha que procriavam
das onças que seu pai matava, das caixas de 'anchovinhas'
que ele trazia de brodowski na sua ida anual para trocar suas colchas

à sua filha, minha mãe, guerreira engenhosa e vitoriosa, grande cozinheira
e meu pai bom e simpático, mudando de atividades na vida, como lhe foi
ele me ensinou a admirar e gostar de são paulo dos 10 aos 14 anos
a mãe me ensinou a perspicácia. a prática e a cozinhar
lembro todo dia deles, com gosto, e rio mesmo

"desde os 5 anos me deram a liberdade de encontrar meus próprios caminhos
e por não terem me dado um irmão, o que me fez falta, consegui vários"

aos meus 3 filhos ativos; meus espelhos, minhas medalhas, minhas sementes
Marcos - uerj, ufop, ufla, unifal + meia-fía Valéria, unifal e ufla + Pedro e Lis
Cecília - puc, ufla e ufla, hoje cuida dos bichos sobreviventes de Mariana
Daiana - puc, genra, avalia os pacientes que se submetem aos médicos
Paula - usp, unicamp, univ de lyon, professora e mãe do Theodoro
Miguel - meio-fío, alto cirurgião das nossas partes baixas

é o que devo ao caráter, à sensatez e gerência da Fátima
por eles me fiz precisar e ora tenho o gosto de ser gostado
com as ocasiões sublimes de me passar a limpo com os netos

tenho uma dívida inestimável com luiz carlos de oliveira e silva,
que, de 2006 a 2015, no castelinho e depois em sua casa,
explicou os grandes pensadores e seus conceitos
com vinhos, biscoitinhos e agradinhos
que as coleguinhas levavam

nos ajudou a acreditar nas nossas capacidades
pingou solvente nos nossos entendimentos
nas melhores aulas eu dormia


devo aos professores: maria enir (em 1 mês li e escrevi), tio hominho, tia luzia,
tia maria, ti-dé, muitas saudades deles hoje, a eunice frizon, nicola romano,
irmão gregório, nadir gavião, carmelo luíses, manuel san martin (manolo),
lula e guilherme (leco) campello, elias, marcão, cézão, cândido botafogo,
padre jayme sullivan, homem que mereceu os meus maiores respeitos,
carlos moscovitch, nélson osanai irmão, joaquim schultz, anita fiszon,
ronaldo bittencourt e ivaldo gropello-cbpo, élmio e clóvis da ag,
cecília castro, eduardo baron, márcio manela, regina kriegel,
sérgio bernardes, o arquiteto e sérgio bernardo, o violinista
mariano jacon, oscar niemeyer, yedo cavalcanti (dr iodo),
josé portinari leão, joão niemeyer, mozart, adeline,
paulinho césar, sílvio, anne lore, paula laclette,
sérgio costa, sérgio magalhães, engenheiros,
lúcia monteiro, carl hilmer bem querido,
cláudio poubel, célio e henrique da sap,
joão pedro, toni, ernesto michelin,
ronaldo câmara, mauro esteves,
flávio wasnievisky, sérgio klein,
walter zollinger, afonso falcão,
pedro cortes, dick welton, lê,
fernando tasso fragoso pires,
francisco ney, edilson rocha,
6são, maria d'alva e divina,
padre zézinho, miudinho,
na marcenaria em 61,
deivison e ed wilson

lembrarei mais

tenho um pouco de cada um
e muito de todos

folguei com vários
tiveram paciência comigo
me aturaram e ainda me alçaram

me ajudam até hoje,
sempre uma boa referência

. . .

devo bastante aos funcionários, bons parceiros e amigos:

ana, heleno, gilson, um 'filho', sandra e cristiane, lena (com louvor) e geninha
mais os 20 que passaram pela fábrica e que não me lembro os nomes
com vontade, ajudaram de verdade, só me deixaram saudades
gostaria de ter ficado com todos, acho que topariam

e aos autores que li e não vou citar
pra não faltar com nenhum nem ser classificado
mesmo porque de muitos não gostei, e assim mesmo valeram
me deram as chances de me entender sozinho com o que pude juntar

agora em poços tive a sorte de conhecer maria inês e joãozinho, a padeira glória,
o velho dos livros velhos da jaçanã dos santos, pompeu, jamil, seu antônio,
bin laden, todos da mina do cambará, o beca vivido (já foi), lucas, jair,
zé brechó da palha, djé, 80% surdo, meigo e feliz, eu grito com ele,
o queijeiro e a menina bonita de caldas que estudou psicologia,
jéssica bonita com seus 4 pedros e tantos gatos (um é pedro)
o juiz federal aposentado que me deixa chamá-lo de você,
eliane e joão, bons como suas bananas, ovos, café e leite,
nei, maria rita e o zé de santaninha, pedro balaieiro,
panamá, lembra meu pai, contador de piadas,
bodinho de laranjeiras, muito viajado
torresmo, chiclete de onça, dé
nós sabemos rir gostoso

. . .

e, se há quem nos sirva de exemplo, outros de lição

"o mundo está cheio de gente que não vale o que diz."
voltaire

"a alegria alheia os incomoda" rita lee

posturas e afirmações são os seus costumes
a pergunta 'porquê?' é a sua 'kriptonita'
se insistirmos, explodem

têm opiniões em meio segundo
convictos de suas certezas
e donos da verdade

chegam a babar com suas
intrigas e difamações

religiosos, inescrupulosos
vozes doces, perigosos

o diabo é que gosta do que fazem
em nome de deus e do amor

dissimulados, fingem que não fingem

nem ligam se tirarem vantagens de um amigo

o bem que fazem é falso
suas maldades são reais

que alguém os perdoe por mim
'nem sabem o que fazem'
mas sabem sim

que me errem, me esqueçam, me desconheçam

" eu deixo vc me fazer de bobo, mas vamos combinar antes ! "
- ouvi de um mestre de obras a um peão, com toda graça

por via das dúvidas, como minha mãe,
rezo um pai-nosso antes de dormir

. . .

minhas vergonhas:
são das grandes e das pequenas

um fato, uma música, uma cena ou uma história
me lembram coisas que não gostei de ter feito
sei que fiz muitas besteiras mesmo
mas não prejudiquei ninguém

fui até muito generoso
de surpreender

eu, minha boca. meus agrados
não carrego mais mágoas
nem exagero culpas

...


voltando aos bons sabores do trabalho:

devo a eficiência que pude ter à agfa, fuji, kodak(c/reservas), às queridas minoltas,
fujicas 6x9 65 e 90 mm, hasselblad 501 cm e superwide, linhof technika 4x5",
rollei 35, rolleiflex, noblex, colormat, varioscope, majosix, variomat,
schneider, rodenstock, zeiss, mecablitz, vivitar, lunasix, gitzo,
time-o-lite, durst, colex e às ótimas canons digitais
ainda farei um museuzinho com todos

mais:
intel, microsoft, adobe, google e google earth + garmim xl 12

bell 47 e 206, hughes 300 e 500C, esquilo b2, robinson 22, 44, 66,
cessna 172, skylane e tantos outros em que voei só uma vez

suzuki, ray ban, yamaha, vitorinokia

ferramentas de talento, usei com gosto

e curti o quanto e enquanto pude:
phillips, teac, thorens, shure, harman kardon, bravox, lando
de 73 a 2011 juntei 10 metros de discos lado a lado
antigos e modernos, canções e orquestras
foi tudo saqueado na casa da mãe

hoje, sem aquela qualidade de antes, mas ainda
fragmentos de músicas ouvidas ou lembradas
me remetem a outros momentos da vida

vou ao google e youtube e a encontro completa
procuro as traduções, versões, meus direitos
lembro dias longes e como estava então
a memória está lá me esperando

o que não tive tempo de curtir
e o que me esnobaram
agora à vontade

. . .
. . .


hoje
dou boa vida a um gato gaiato, cor de pulga, olho azul, brincalhão e comilão
e a uma gata bonita, sofisticada e exigente, que resolveram morar aqui
ele, um animal ninja, não tem medo de cão nenhum; é o onço
ela não suporta vê-lo brincando, logo cria caso, como sóe
mais o vilão e a intrusa que vêm pegar seus restinhos
com a briga diária pra ninguém perder a forma
pelos pêlos que voam se vê quem apanhou
quando ouço encrenca, interfiro
e tome água, vilão !

a cada dia nos entendemos mais e gostamos de nos agradar
não sabia que se podia gostar tanto deste bicho
me ajudam a saborear a paz

são treinadores dos nossos sentidos
sei seus vários modos de miar
o jeito caprichoso de andar
de atentar, pedir
e de olhar

o que pensam,
mostram na ponta do rabo

aqui
tem os tantos passarinhos que vêm para lanchar
até agora contei 19 espécies, 5 só de beija-flor
só o joão-de-barro não quis chegar ainda

abelhas, arapuás, jataís e marimbondos
mais os morcegos grandes, mansos
nos restos de frutas, à noite

um beija-flor miudinho, velhinho, fala bem-te-vês (!)
bebe seu chazinho, senta no seu poleirinho
e fica resmungando baixinho, meia hora
deixa eu chegar a meio metro, me olha
e
se chegam os bem-te-vis escandalosos
ele os imita, discreto, rouquinho
já vi 2 vezes !

e cuido das plantas da senhoria

. . .

"country roads, take me home"
jd

quando posso, vou aos 'sertões' desta região exuberante
conhecendo muitos lugares que na infância ouvia falar,
motor 2t, som e fumaças agradáveis da motocicleta
as estradas são de todos, caminhos de quem acha
fujo de asfalto, vacas, cachorros, chuva e tombos
marco uns tocos pra cavucar um dia, paro fácil
ipês, raízes de cajaranas, jacarandás, perovas
panho goiaba, casco laranja, xêro fôia
sempre procurando um bom canto
acho água nas sombras, páro
ouvindo o lugar, de longe
absorvendo silêncios
e pitando

me torro no sol
em espaços verdes
e bafos de terra fresca

'dias grandes, azuis e brancos'
gr

nos caminhos, roceiros(as) tranquilos
prontos a uma boa conversa
e com o que dizer
... e pitamos

quase todos nasceram onde vivem
e já foram ao menos uma vez à 'pricidnórt'
a meca da pobreza explorada, crente e convicta

nas alegres chegadas, sorrisões, comidinhas e comidonas
"quer que eu faça um almocinho procê?"

rosquinhas e quitandas de velhinhas muito espertas
doces, linguiça frita e queijos frescos da casa
ótimos cantos pra se sentar e ficar
pão, pinga e café de verdade
nem tudo de uma vez

"_ foi bão cê chegá, tava pensânu uma coisa pra te falá!"

levo pão e às vezes uns bifes, raros por lá
e pepinos pra salada, só

fora os bichos que admiramos ... e comemos
lambuzados de paz em ambientes relíquias
fraternas comunhões ao sol ou à sombra
ouvindo galos músicos e regos d'água

aparecem visitas

nas cozinhas, onde as melhores recepções
quando não acho uns restos, fazemos

as caras das crianças me deixam seguro
os cachorros me fazem festa e colam
também levo carninha e ração

lá sou tratado como super-herói
pois morei no rio de janeiro
. . . 'é muita coragem !'


gostam de minhas histórias
degusto seus 'causos'
nos interessamos

caipiras cheirosas, saudáveis, vigorosas, gente de bem
ativas e 'orgânicas', desbancam qualquer feminista
não precisam provar nada com caras de sabidas
não se vê poses, só as posturas espontâneas
não exigem atenção pois não precisam
impolutas, não ficam se afirmando
conversas na intensidade certa
perguntas deliciosas e puras
caras sérias que encantam
e sorrisos de toda graça

"... o rir um pouco rouco, não forte, mas abrindo franqueza quase de homem,
sem perder o quente colorido, qual, que é do riso de mulher muito mulher,
que não se separa da pessoa, antes parece chamar tudo pra dentro de si."
g. rosa, o insuperável

por lá nunca ouvi as irritantes risadas ardidas compulsivas
muito fêmeas e seguras, sangue bom da magna grécia

umas manuelas sacudidas que me deixam sem jeito
uma rafaela que chega bonita na sua égua 'catita'
uma thaís que pilota trator grande;
ara e planta, colhe e faz frete

fêmeas que fazem melhor os trabalhos de machos

o que a gente fala tem boa volta, o que se ouve se aproveita
sem 'climões', ainda não vi perturbadas nem 'tarjas-pretas'
nada de olhares tortos, caras duras, conversas invasivas

os homens chegam tranquilos
trazem e dividem paz
rústicos e bons
respeitos

um dia um velhinho disse ao me ver:
"chegou o homem verdadeiro !"
ironia ? não conhecem isso

é porque gosto de esclarecer como posso
o que não tiveram a chance de saber

e como perguntam bem !

ouço confidências
chegam assim: 'vc que é vivido ...'
e nós trocamos experiências e valores
e devolvo que bem vividos e sabidos são eles
em comum, nossas curiosidades e habilidades
mais a carga que acumulamos nos picuás da vida

se soubessem que sou eu que aprendo mais ...

"bobo é quem pensa que caipira é bobo !"
c pires

porém muitos acabam vindo pra cidade
e se contaminam instantâneamente


suas casas simples e bem posicionadas
abrigam com conforto e dignidade
vidas simples de muita riqueza
paz, saúde e limpeza

difícil é ir embora, sempre mais um café
saudades plantadas, volto carregado de ecos:

. . . 'num demora não ! ' . . . ' vem pra posá ! '

um dia me ligaram: ' teu' doce tá pronto ! '
só porque admirei uma laranjeira carregada

não fotografo estes rostos, estragaria, só lembro
não quero arriscar nenhuma má interpretação
não tenho a soberba dos medalhões posudos
ou a cara de pau dos photo-marketeiros
que vivem de explorar estas purezas
oferecendo um boné ou camiseta
e faturando com isso

ando por lá menos do que gostaria
pra não cansar as hospitalidades
nem aguar minha graça

a satisfação supera o desejo
e saudade faz bem

. . .

. . .

peguei gosto de ir ao cemitério
o laboratório da extinção

muitas árvores e sombras
reduto de passarinhos
mas muitos

os contrastes das moradas
e as placas 'eternas'
só de 'gente boa'

no silêncio,
sentado e pitando,
a atividade civilizada
são afastados rumores
de vivos sempre atrasados

. . .

dia sim dia não, o mercadão
na feira de sábado a via sacra
sorrisos de bons reencontros
alguns me esperam pra falar
e, 'vêis in quando', convidar

lá também vejo
a satisfação dos produtores
as afetações dos privilegiados
as lamentações dos remediados
o deboche de integração dos excluídos

outro dia, quis saber de um ex-carreiro, 93 anos
que viveu e ainda pensa e fala só em léguas
(tem 'légua das grande' e das 'piquena!')
magro, anda mais rápido que eu,
o que perguntei:

_ qual era a velocidade de um carro de bois,
quanto o senhor andava num dia de viagem ?

ele parou, olhou pro chão ... pra mim,
e disse mansinho:

" _ O boi anda na toada da cantiga do carro ! "

calei a boca, guardei, marcou

. . .


hoje meu relógio é devagar, a semana é que se apressa,
tenho 2 domingos, 3 sábados e o resto é sexta feira
os anos agora só mudam de nome ou número
me atento à lua e às estações

"nada é definitivo"
n. osanai

se ainda conseguir me reabilitar e me alforriar
vou queimar gasolina no norte das minas gerais
antes que aquilo vire uma imensa fábrica de soja

nas sensações do convalescente
um mês, um ano, o que for
seguir uns rios inteiros
catar umas pedrinhas
ver mais serras
e as veredas,
as sobras

e se ainda der tempo, 'costurar' os andes,
com boa companhia (se tiver)

ficar quanto quiser onde e o quanto puder
andando e parando conforme a vontade
vivi viajando rápido em idas e voltas

"... meu filho, toda pressa é maldade ! "
(rosalina para lélio, gr)

já tô vencido e nem ligo, ainda consigo
tô que nem carro véio de pedreiro
cheio de defeitos mas sirvo
posso terminar a obra
e minha garagem

pois, em 2014
a casa em que nasci foi sacrificada
perdi meu chão, o horizonte
e meu porto seguro

. . .

. . .

o que penso:

nos meus começos não tive orientação, só fui doutrinado
tinha seleções pra ler, mas idéias já eram criadas
depois devorava o que me caía em mãos
li muita porcaria à tôa, sugestionado

quando criança pensava no universo visível
como sendo os átomos do fio de uma faca
de um gigante no seu mundo
sem ir além

tive tanto este direito como
o bam bam bam que disse que
só conhecemos 30% deste espaço
como ele 'sabe' que existe mais 70% ?

e este todo estaria em um imenso vazio ?
além dos seus 100%, "um precipício" ?
. . . parece idade média

é muita cara de pau
vá pentear macaco
e catar coquinho!

não dá

quanto mais chutam
em mihões e bilhões à vontade
mais credibilidade angariam, pois

o universo deve não ter dimensões
e o tempo, é coisa da mente
mania nossa de medir
de fixar as coisas

de querer saber antes de poder saber
e a mente mente

nossa vida é um momento
dentro de uma sucessão eterna
nós, fascinados pelas grandes extensões

a dinâmica não tem limites
a eternidade é sem fundo
o espaço é o que há
e está total

começos? como saber ? e pra quê ?
rotações ou pulsações, tanto faz
existem afirmações de graça
forjadas, chutadas
acreditadas

o aumento do conhecimento
só exalta a nossa ignorância

os antigos já 'sabiam tudo' há 4 mil anos atrás
dizem os sabidos que lêem uns livros bem grossos
'esqueceram' que já haviam sociedades há cem mil anos
mas toca pra frente, escreva-se, as pessoas precisam crer

se em evolução ou decadência
vai da loucura de cada um
e pretensões vaidosas

'me iluda que eu preciso!"

. . .

pensar é definir os estímulos que nos atingem
cultura é o conhecimento bem peneirado

bom senso é admitir o que pode ser
descartando o que 'tem que ser'

abaixo os complicadores !!!
abaixo os afirmadores !
abaixo os repetidores!
e os metidos a besta

'ego sunt bagus plenit ! '

. . .

imagino a vida como um livro que carregamos sob o braço
se temos tempo ficamos relendo as melhores passagens
desatentando às partes desagradáveis que estão lá
ora vendo as figuras, ora revendo com coragem
reavaliando as velhas interpretações

e nunca o folheamos em ordem

a gente pára em certos trechos
em atenções mais frias
cruas conclusões

senão não valeu nada

as páginas em branco
não podemos contar
mas ganhamos
e escrevemos
uma por dia

o que sei de verdade
é que quero saber

a vida nos impulsiona com fatos
que vivemos e comparamos

o destino sempre levou a fama do acaso
ou é o contrário ?

pois já bati e já apanhei
feri e me machuquei
desde os 4 anos

com cuidados que as convivências exigem
pensar um pouco no que aceitamos
e no que nos foi mostrado

atenção no que merece
descobrir meios
e processos

e,
saber o que não se precisa
é o que se precisa saber

"Porque eu só preciso de pés livres,
de mãos dadas e de olhos bem abertos."
jgr

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