{ contato | quem somos | falo }
{ últimas | salada mista | das caixas velhas | obras | nossa gente | mosaicos | verticais }
{ quem somos }

...

quem somos . . . quem fomos

com tempo pra pensar e repensar o que consigo

"viver é ver as bobagens que a gente fez até o dia de ontem"
gr
. . . e achar que se 'vacinou' para novos êrros

a gente vive pra entender depois
o que não se acredita agora

a vida
é a maior manifestação do universo
mas o viver é pequeno e limitado

a verdade está em tudo
nossas antenas é que são fracas
ou já as estragamos na infância

vivemos num mundo faz-de-conta
entre estúpidos que se acham espertos
e safados que se travestem de virtuosos
além de privilegiados metidos a eficientes
e há os que trabalham e acreditam em tudo
gostam ou precisam enaltecer os mais dotados

tô na idade em que já se pensou 'na própria instalação do windows'
e se consegue conviver com as configurações originais
pois, são as que enraizaram

uso mais o contemplation 3.0
desde que me lembro

eu, paulo romeu pereira bissoli, filho de romeu julieta bissoli e
maria da luz pereira bissoli, nasci em poços de caldas em abril de 53
tive ótimas infância e adolescência, me adiantei e precipitei o resto

vivenciei muitas mudanças, outras nem vi
mas sei que muita coisa é a mesma coisa

daqui posso me arriscar a definir
o que aprendi com o que tive
mesmo que demore
ou nem acerte

vi muita maldade mudar para nomes modernos
exemplo maior é a tal da 'qualidade de vida'
novas regras hipocritamente inventadas
com insossos termos 'adequados'
(esta, a pior palavrinha)

melhor seria a moda do 'humanamente correto'

'bem estar' hoje é nome da seção de psicotrópicos nas farmácias
o 'meio ambiente' não inclui favelas, enormes bairros pobres,
loteamentos em áreas inundáveis, asfaltos que são tinta só
casas indignas, terrenos ridículos, sujeira pra todo canto,
urbanização meia-sola, pouca civilidade e ordem social,
curriolas revezando-se no poder, justiça conivente
insegurança generalizada, o imposto da inflação,
medidas-crime oficiais, egoismo, desrespeitos,
onde tudo 'vai ser investigado' ... e fica nisso

extensas monoculturas e seus maus efeitos,
o brachiária pra todo lado, só se impondo

isso se desenvolve de qualquer jeito
'funcionando', vale o que for

temos uma constituição que visa mais a organização do estado
e muito pouco a população, a nação e seu desenvolvimento
'deitado eternamente' parece ser o refrão predileto
somos ainda uma eterna colônia de simplórios
ora multinacional (dá imprêgu pá nóis !)
nóis num priciza dizinvorvê nada
a tecnologia nóis compra pronto
minério i soja nóis izpórta
é barato mais sérvi
'entra' as diviza !

nóis tem investimentu istérnu (é boa!)
só qui nóis num cresce, nóis só incha !

o lucro gorda vai pra fora
espelhinhos e brinquedinhos nos divertem

'cidades sem alma, amontoados de gente'
p.
. . . rescendendo a lixo e esgoto
pilotos de corrida soltos pelas ruas
viciados e ladrões à vontade, sem medidas

o planeta 'sustentável' é o mesmo para todos
e os que mais consomem e transformam
são os que mais pregam cuidados
falando alto pra serem notados
com as cínicas normas

de carrões e camionetes grandes, limpinhas
não mostram a ninguém seus holerites
nem suas contas de compras

e há irritação, insolência e deboches
com quem tem os pés no chão

só ouviram o galo cantar
nem sabem onde

amargam a beleza do mundo
tiram sua graça, os sem graças

só mesmo buscando a paz
onde eles não alcançam

ainda dá

...

o que antes me irritava ora me interessa
os inversos explicam mais fácil
simples espelhos

tudo se aproveita e aproveito o que posso
quanta coisa vejo que nunca vi

"modesto é o vaidoso escondido atrás da porta"
ouvi numa reunião no rio

por outra, ora suporto os atuais chatos
pelas lembranças do que também fiz

é como uma equação matemática
onde se vai eliminando as redundâncias

saber perguntar é o melhor saber
pois, perguntas já comportam
o cheiro das respostas

o principal
é aprender melhor
o que nos ensinaram mal
atentar e se 'vacinar' contra
o que querem que acreditemos

constatar que o mais proveitoso
é definir o que a gente não precisa

estimo nossas faculdades
vivo a vida que ganhei
e valorizo

as besteiras que faço
e que dão pra ver
vou corrigindo

. . .
. . .
. . .

fiz este site em 95/96 pra ser 'meu lojinha'
queria divulgar os trabalhos da hora
e falar sobre o que via

era o tempo dos jornalecos de bairro
com matérias de alta boçalidade
e nojentas subjetividades

por comentários de alguns amigos
achei o gosto e tomei gosto
de me entender

"no espelho da visão está a segurança da verdade"
teodorico - código visigótico - 654

mas logo vou desmontar
ora é 'pelos finalmente'
cansa

. . .

fundamos a my zoom fotografias ltda em 1990
eu e um colega mais interessado, o incitador
que se mancou e saiu em um ano, paguei

tive muitas propostas na vida
agora me dou conta

e

em 2014, na jucerja, 'garfaram' o nome que inventei
disseram que já existia, insisti que era eu mesmo
2x a mesma resposta, sem outras explicações
fui vendido e comprado, perdi a my zoom
meu contador nem foi lá ver o porquê
e eu nem seria atendido se fosse

a última paulada que tomei

ainda tive que dar 500 reau
pro fiscal me entregar o novo alvará
que estava pronto na gaveta, ou nunca estaria

a firma está inativa e à deriva desde 2015
a sêca de trabalhos começou em 2008

encalhei

"o governo não é a solução para nossos problemas.
o governo é o problema ! "
r. reagan 1981

" . . . isso é jogo 'robado ! " n. nahas 1989

ora, ao menos mantenho o domínio do site

outra :
mostraram-me um paulo romeu no facebook
montanhas ao fundo e um 'fernando pessoa' de chapéu
não faço idéia de quem seja, mas conheci quem é bem capaz

nunca freqüentei qualquer rede social
não me inscrevi em blogs ou vlogs,
não entrei em nenhum grupo

não torço pra nenhum partido político
não bato palmas para interesseiros
não frequento auditórios

'na multidão, contra mão'
tj

nunca fiquei em rebanhos
mas onde me encontro
atraio ouvintes
confidentes
suspeitos
amigos

e chatos

...

'funciono' com email,
o mesmo há 26 anos: promeu@myzoom.com.br
estou com o tel 35 99872 0972 só whatsapp
e nem ando com ele, confiro de manhã e à noite

ficou caro e complicado
manter o do rio aqui, e mais um
com operadoras vorazes e ardilosas

...


o que andei fazendo:

fui pro rio em 71 por gostar desde 1960, ia nas férias
em 65 andava sózinho entre ilha, ipanema e tijuca
vi os últimos tempos do rio de janeiro agradável
os bondes, a maresia ainda com cheiro bom
e as amendoeiras no início do verão
a rádio mundial que nos excitava
música da época bem inspirada
o feijão preto com carne sêca
bons butecos pra se comer
um bom pasquim pra ler
o sotaque das meninas
e suas roupas bonitas

ganhando bons salários, dignos na época
a vida chegou sem me explicar as coisas
logo me enrosquei, tive de dar conta
das novas necessidades que criei
descartando meus sonhos

tive a sorte de conhecer e conviver com 3 bons amigos
wilson moura, carmelo luises e rodezir martins
fotógrafos e laboratoristas maduros
verdadeiros irmãos, quase pais
informados e muito vividos
p... velhas do rio

com eles mergulhei mais fundo na profissão
sem eles seria sufocado ou massacrado
por invejas, assédios e preconceitos
num rio de cobras perversas

com eles fiz a minha base
que não tinha até então

mesmo assim sofri as angústias
de agradar para ter trabalho
por muito tempo

e também caí nas conversas
de muitos 'sabidões'

ainda hoje caio
bem menos

...

na profissão havia que aturar o interesse
e as tentativas de aproximação
pela vida de fotógrafo

nunca me achei artista, mas técnico criterioso, apaixonado pelo ofício
uma profissão que é muito atraente e prestigiada, mas de folgados
em cinco anos já podia rir dos 'sabidos' com décadas de prática
inventava meus próprios métodos para melhor produção
pelo que passei por muitas chacotas e despeitos

não fui fotógrafo de capa de revista
(mas tive foto em página dupla na veja)
por necessidades básicas priorizei a rapidez
evoluindo pontos de vista, boas cores e nitidez
a experiência que tive em laboratório foi primordial

após um trabalho elogiado para faturar sucesso
no dia seguinte estava ansioso por outro
não digeria minhas evoluções
precisava do da hora
na corda bamba
sempre

'sou mineiro paulista', gostava de dizer
e nos meios técnicos fui bem chegado

. . .

três empregos bons, um filho,
e comecei minha carreira solo
'carregando' um sócio do leblon
que me ensinou muito, sem saber

...

o que fiz de útil:
atividades resumidas na minha versão
há mais que não fiz questão de expor aqui

saí de poços em 70
fazia eletrotécnica e
não suportava a escola
já sabia revelar em cores
1 ano em sp e ribeirão preto
de mochila desci no rio em 71
com 50 mangos que a mãe deu
(um prato de comida era 3,60)
havia o emprego que escolhesse
mafra e multicolor, meus mestrados
e fui atrás de meus próprios trabalhos
pasta de fotos sob o braço, downtown
em 75 já tinha bom laboratório próprio
sérgio dourado nos deu o maior impulso
aprendi a iluminar maquetes nesta época
então não precisava mais procurar clientes
nem fuji nem kodak: sou cria da agfa-gevaert
fui fotógrafo e colunista policial em jornal de sp
trabalhei na cozinha das notícias e vi os temperos
'di menor', inseguro mas empolgado, fui demitido
sem mágoa, vi o que me ajudou aprender mais tarde
até hoje procuro e curto filmes de imprensa impressa
lá também fiz muito casamento, formaturas e festonas
fui piloto acrobata de colormat, varioscope e durst 1000
era fera nas ampliações, fiz muito trabalho pra medalhões
em 74 já sobrevoava o rio e o brasil com, pela e para a votec
fotografei muito avião e helicóptero de helicópteros e aviões
registrei as sondas P3 e P5, as pioneiras da bacia de campos
mpm, standard, kastrup, mccann, jwt me deram trabalhinhos
em 74 fotografei toda a fábrica nacional de motores, a fênêmê
fiz laboratório pra jacques van de beuque e o marcel gautherot
fui amigo e provedor de ampliações de paula laclette, botânica
de 73 a 83 servi à 'pétobráis', terceirizado, fotografando de tudo
tudo que ela terceiriza e diz que faz, as realidades próprias deles
deu pra entender bem como funciona o lema "o petróleo é nosso"
vi luxos, buchos e caviares que ainda me revoltam, mas precisava
frequentava o 20º andar, e entre outros fui algumas vezes ao 24º
no 3º escalão fui 'convidado' a doar uma moto: dei o capacete e saí
de 78 a 2002 ajudei 'seu' oscar niemeyer a apresentar seus projetos
suas observações claras me ajudaram a evoluir bons pontos de vista
no plano cruzado fui atrás de empresas de engenharia, não parei mais
fotografei para as maiores empreiteiras e grandes escritórios de projeto
com fotos verticais ajudei numa dúzia de viadutos e dezenas de canais,
duplicação de estradas, urbanização de praças, de favelas, loteamentos,
centenas de kilômetros de "terra incógnita" para linhas de transmissão,
era no tempo do landsat 3, detalhes no chão só podiam ser adivinhados,
complexos industriais, esportivos e penitenciários, terrenões, fazendas,
fiz até 500 km2 de área urbana em 1:2000, 150 km de valas em 1:500,
vielas para asfaltar, becos, questões de divisas, encostas ameaçadoras,
bacias assoreadas, vazamentos de esgoto, aterros/lixões clandestinos,
projetos de anel viário, novas avenidas-canal e planos de recuperação
de 91 a 2015 fiz fotos verticais pra quem sabia que eu fazia, ajudei na
rapidez dos projetos pela nitidez nos detalhes, evoluindo o que podia
estratégias de intervenção e técnicas de manejo se faziam mais fácil
minhas hasselblads normal e superwide, e fujicas 6x9 esquentavam
pedi 'autorização' a famigerados para fotografar nos seus territórios
entrei de moto, só, no grotão da penha para concorrência de obras
de dt-180 novinha, subi as vielas, falei com os 'caras', e fotografei
um major pm, do serviço de inteligência, foi em casa e me pediu
uma palestra 'com máscara ninja'; eu disse pra ele ler 'os sertões'
de 81 a 83 inventei molduras auto-adesivas, montei uma fábrica
no pé do morro do alemão, tive 15 escravos, 25 mil peças/mês,
inflação de figueiredo e dumping dos concorrentes, quase fui
em 78 ajudei nas exposições do 'programa nuclear brasileiro'
até almocei em churrascarias junto aos tecnocratas e coronéis
ria com eles pra não perder os gordos trabalhos que ganhava
e fotografei todas as frentes de itaipú para seu relatório de 79
lá, pro cheque não demorar, o caixa pedia: 'e o meu whisky?'
fui 2x à escolinha do prof raimundo a serviço de um 'aluno'
fotografei 70 fazendas do tempo do império p/ um livro chic
comi frango em algumas antes de virarem pontos turísticos
fiz a produção e montagem de painéis no espaço lúcio costa
e claro, do espaço niemeyer também, trabalho inesquecível
e pro oscar fiz quatro exposições abrangentes de sua obra
fotografei e filmei o engenhão, da fundação à inauguração
quando vi que era um cineasta de terceira, só pensava foto
para o banco central: exposição eco 92 e a nota do gaúcho
fiz 70 painéis da exposição 'arquitetura de terra' no mam
festinha no oscar, despedida de uns arquitetos franceses,
me contrataram para registrar a pequena reunião, então
bebi com darcy ribeiro, vinho do melhor, o quase porre,
empatamos no falatório, de religiões às mulheres, claro
oscar com os franceses, de olho na gente, quase ciúmes
ele sempre pedia pra eu contar minhas viagens de moto
não dele, já recusei uma 'boca' no ministério da cultura
agradeci, vi que teria de usar coleira, ficar à disposição
no tempo do 'zé do mé', quando tinha muitos clientes
tempos em que secretários me agarravam pelo braço
governador me mandava emissários para 'furar a fila'
voei a região de presidente prudente pro incra 'lotear'
entre 86 e 91 trab... me diverti com o sérgio bernardes
em 83 e 84 fotografei enduros em praias e montanhas
nas trilhas esperava os machões passarem e registrava
agora vejo, me divertia bem mais que os competidores
e aprendi o outro lado dos homens e as suas máquinas
quando caíam, perdiam: "_a moto não me aguentou !"
de parati a campos perdi a conta dos vôos que fizemos
'inaugurei' o abastecimento no aeroporto de cabo frio
de 78 a 83 pratiquei pequenas esculturas em madeira
tive que parar pra não parar de remar, senão parava
fiz fotos aéreas para univ. harvard - landscape dept
(um jardim do burle marx na fazenda marambaia)
de 85 a 2015 vi muito lixão 'virar' 'aterro sanitário'
fotografei expansões e revitalizações de shoppings
reproduzi arte contemporânea para galerias tops
a pedido do oscar, fiz as bandeiras do parlatino
fotografei p/ a coppe-ufrj, lab hidrologia, ime,
dei palestra na uerj sobre foto-interpretação
colaborei 10 anos nos projetos do chacel
20 anos c/ sérgio dias e ricardo amaral
comecei um livro com joaquim levy e
o escritório de burle marx em 2014
levei-o a almoçar no meu buteco
(o mingote era restaurante)
dilma me levou o joaquim

tudo mudou muito rápido
o mundo se me afastou
já era a vez de outros

quando podia ser mais útil

. . .

em 2015 foi pro lixo meu arquivo de cromos e negativos
em 2003 já tinha oferecido pro arquivo da cidade
que "não tinha recursos e pessoal pra catalogar'
os filmes mofaram, salvei as digitais

de 2000 pra cá enchi mais de 200 CDs e DVDs
e, em HDs externos tenho 2 Tb

todas as fotos que fiz tiveram finalidades práticas (e políticas!)
algumas das quais refaria com mais critérios,
por orgulho e merecimento de causa

outras (e foram tantas) eram feitas só pra inglês ver
muitos trabalhos foram para ilustrar projetos
que se sabia destinados a ser só projetos
para alguns dizerem que fariam

fiz eventualmente algumas fotos bonitas, pois naturais
nos translados a um objetivo, curtia singularidades
e exibia as que gostava aqui

mas o dinheiro vinha mesmo era das fotos feias
tragédias ambientais, obras mal feitas, favelas, ruínas, lixo

de graça eram fotos de pedras ameaçadoras nas encostas,
fotos de poluição evidenciando causas, nós de trânsito
fotos que nem sempre gostaram de receber (!)

e trabalhos de estudantes, mas só pra alguns
mauricinhos e patricinhas podiam pagar

achava muita coisa fácil, noutras nunca levei jeito
mas justificativas não explicam nem justificam

trabalhei pra mocinhos e bandidos
já entreguei serviços medíocres
não podia escolher clientes
urgências e paciências
euieu pelos meus

"paulinho: vc vende um tempo que não te volta mais
por uma moeda que não corre nas tuas veias."

serjão w bernardes em 88

vender minhas habilidades e eficiência me deixava bem
com estrutura vulnerável, atrevido a missões 'brabas'
passei por muitas angústias, ansiedades e perigos
são histórias que desisti de pôr aqui
uma lembra outra e mais outra
e muitas comprometem

vi de perto mais do que esperava, intimidades da profissão
fotografei muita gente trabalhando de me dar vergonha
e folgados sem vergonha que só fingiam trabalhar
esses, os que mais sabem e gostam de posar
nas suas coloridas realidades oficiais

conheci umas 3 estatais
e outras tantas prefeituras
o que me envergonha até hoje
pois, colaborei nos desperdícios

...
...


cria de laboratório, custou mas montei um do melhor nível
químicos originais, papéis novos, importava meus filmes
vi caras e satisfações que valiam mais que o pagamento

ainda tento desenvolver a composição, o básico
quando era só laboratorista vi grandes fotos
muitas, tomadas de instamatics

a técnica constrange a criatividade
inda mais hoje, digitalmente homogeneizada

pontos de vista deveriam ser estudados
em todos os seus parâmetros
já no ensino básico

uma boa pré-observação nos ajuda no mais difícil caminho

de que adianta ter uma nikoltax fxd 700 mark III alpha b2 platinun-extra,
com uma super zoom 16~1600 aspherical-anastigmatic-catadioptric,
filtros nojentos, coletinho besta cheio de bolsos, marcas e marras
se o 'ixpérrtu' fica onde está e não 'rima' objeto e fundo ?
pois, eles sabem caprichar é nas próprias poses
e na imitação do que já viram

minha bronca, meus recalques: em dois ou três grandes clientes vi
às vezes uns e umas, riquinhos, netinhos, protegidas de chefões
voltavam das férias com uma nikon pendurada no pescoço
diziam-se fotógrafos e simplesmente me espirravam
faziam uns livros-brinde, folders, logos modernas
às vezes até criavam um novo departamento
botavam todos os amiguinhos pra dentro
mas suas fotos saíam bem mais caras
fretavam os helicópteros da alegria
assim que enjoavam, cansavam ou
suas enrolações ficavam evidentes
os chefes me chamavam de volta

eu, caipira pra estas turminhas
aturava seus desdéns
pois, precisava

. . .

pelos trabalhos vistos e o telefone é que me achavam
assim consegui me manter nas pontas uns 25 anos
ora, pra mim isto é 'o mais principal'

o que fiz ou deixei de fazer, fui eu mesmo que fiz ou não fiz
do meu bolso arrisquei, contratei, realizei, doei, ganhei e perdi

sempre envolvido nas expectativas dos outros
teria feito mais não fossem as pressas
que só atrasam a vida da gente

colegas com muito menos bagagem
chegaram bem mais longe que eu
paitrocinados, comerciantes
e 'bem garantidos'

nunca fui negociante, nem arrogante
nem procurei por 'boquinhas'

hoje na idade das confirmações
creio que havia algum sentido
tudo ficando mais simples
as fichas caem sem doer
mesmo as amargas

do muito que não entendia
sempre desconfiei

não sabia que já sabia

tenho saudades de mim

...

...

a década de 80 foi meu tempo de maior insegurança
montei, funcionei e vendi uma fábrica de molduras
me dispus a trabalhar em condições de risco
alimentei as maiores esperanças

dois filhos e o preço do pão subindo dia sim dia não
o 'bom' do sarney e seus planos ocos foi me forçar
sair às visitas para encontrar novos trabalhos

"pra poder ver seus limites há que conhecê-los"
nietzsche

era o final dos tempos de grandes e muitas obras públicas
uma empresa carioca me abriu as portas da prefeitura
a prefeitura 'me entregou' às grandes empreiteiras
aquela só me encomendava, estas pagavam

na década de 90 já ganhava, somava e distribuía

mas em 99 me atolei em conflitos de afetos
no início endeusado por ser do meu jeito
depois execrado por continuar sendo
do canto da sereia ao funk pesadão
sutilezas, surpresas e desilusões
febres, precipitações, recaídas
reciprocidades inflamadas
no diário, céu, mel e fel

. . . e nem precisava !

murcharam as razões
me afastei de amigos
perdi funcionárias

de longe vejo

pois, história cara
gratidão engasgada
expectativas vencidas
experiência sem preço
merecimentos na medida
boas lembranças e os alívios

então peguei preguiça
da vida, das coisas, pessoas
todas as vontades desbotaram

houve transições que não acompanhei
naquelas angústias intermitentes
cego para ver, tenso pra sentir
comecei a colecionar perdas

desconsiderei as evoluções tecnológicas
colegas se afundavam e eu os desmerecia
milhões de novos fotógrafos, alguns sérios
câmeras digitais, celulares, novas produções

gerentes de obras já não me chamavam
e os 'malditos' drones, brincando,
faziam bonito o que eu não conseguia

procurei dominá-los mas me faltou jeito com joysticks
frequentei aeródromos de velhinhos e de riquinhos
e eles tentaram me vender uns usados
mas já tinha visto este filme

além de fraco pra investir em equipamentos e gente
já estava sem paciência para tolerar moderninhos
ficar na obrigação de aturar envolvimento com
animadinhos, afetados e folgados (as, as, as)
conviver com espertinhos e puxa-sacos
nas suas simpatias bem treinadas

sempre me iludi com as equipes que montei
os que chegavam propondo voar muito alto
esnobavam conhecimentos do momento
embarcavam e eu tinha que servi-los
suas expectativas, meus riscos

financiei efervescências
criei corvas e cobros

dava plena confiança a todos os chegados
o que gerava competições ridículas
pelas 'minhas graças'

de fato, me envolviam e me atrasavam
se eu desse idéias pertinentes
atrapalhava o teatrinho

além de procurar e 'pescar' o trabalho
acabava fazendo quase tudo sozinho
tinha que buscar, estudar, fechar,
descascar, processar, temperar,
embalar, entregar e faturar
pagar logo os folgados
e aí esperar o meu

e quem virava noites pelos prazos ?

meus talentos, meus defeitos

"todos reparam nas cachaças que eu bebo
mas ninguém vê os tombos que levo"

- cicinho, amigo de estrada

"... já me deram muito afeto e mais seria supérfluo.
gosto das pessoas que me fazem amá-las,
. . . mas isso é mais difícil."

(perdi o autor, um cientista)

...

...

me dediquei aos mosaicos
e então tive 7 anos tranquilos
trabalhando sem quaisquer 'ajudas'
com uma boa câmara digital e bom pc

por este tempo chegaram as 'marolinhas'
depois do susto de wall street em 2008
e os 'malfeitos' que transpiraram aqui
os bons clientes reduziram e frearam
suei pra receber trabalhos prontos
cobrar é muito constrangedor

certas perdas me trouxeram melhores ganhos
passei a fazer menos, maiores e mais altos vôos

.....

fotos aéreas:
talvez já tenha mais de mil horas voadas só para fotos
vi selva, o pantanal, praias demais e tantas serras
vivi várias situações de pane, 3 de perigo maior
e perdi alguns amigos para o chão

era conhecido por dar a proa de longe
diziam que tinha um gps na cabeça
é que sempre gostei de mapas

e,
como os mais graduados meteorologistas
às vezes acertava a previsão do tempo

...

'o empresário':

tive que ouvir, 'di grátis', de clientes amigos:

_"o paulo não sabe ganhar dinheiro!" (chefetes da prefeitura)

e de ajudantes bem agraciados: "_ o paulo não tem ambição!"

nunca associei fotografar e administrar uma firma e gente; deficiência nata
não conseguia 'trabalhar um plano diplomático' com nenhum cliente
a ida a uma obra longe era o bom passeio de moto ou helicóptero
eu era muito valorizado, me dispensavam as melhores atenções
a produção da encomenda, o orgulho da técnica que evoluí
os trabalhos, tão inesperados, cada um em seu desafio
em novos ambientes 'inacessíveis aos mortais'
eu só gostava disso, e 'ganhava bem'

a grana era distribuida a merecedores e tomadores
achava que os contadores faziam sua parte
e que o trabalho nunca acabaria,
que seria sempre procurado

meus privilégios foram as importantes missões
direito, o de entregar 1/3 a um estado ingrato
boa parte das vezes antes de receber
benefícios, até ontem, zero

44 anos no rio de janeiro, às pressas
sem poder ver o que fiz de fato

ainda estou pendurado na receita
por algumas guias 'esquecidas'

pois, dispersivo sempre
minhas desordens

. . .

mulheres:
melhor é ficar quieto, ora é um alto risco falar delas
hoje, mais que nunca, elas têm 110% de razão
sei o que fiz mas lembro mais o que vi
não gosto de usar sutilezas

inúteis os confrontos, somos quase iguais
e ninguém é melhor que ninguém

...
...

agora, as 'mota': minhas cachaças

aos 8 anos ia na padaria mais longe só pra ver, rodear e cheirar
as 10 motocicletas da cidade que lá paravam eventualmente
bsa, norton, jawa, royal, norman (james), matchless ...

só em 79 consegui a primeira
já rodei, no mínimo 1,4 milhão de km
nas 12 motocicletas que tive para trabalhar
e quando podia, viajar, passear, comer peixe em arraial

presente da prefeitura e da odebrecht, numa manhã muito quente
ofereceram o autódromo nélson piquet só pra marauder e eu
dei uma volta, riscando pedaleiras no chão sem caroços
certo que na segunda cairia, parei e agradeci
podia andar mais, mas acho que fiz bem
de bermuda e sandália a 195 km/h
ainda sobrava cabo

...

sou grato,

à minha vó maria sabina de jesus pereira (1886-1975)
neta de 'bugre pega a laço', me ensinava, aos 5 anos,
alguns brinquedos que seus irmãos faziam
com isso desenvolvi habilidades úteis
então inventava os meus e mostrava
e evoluia, o que mais me valia,
como valeu, e quanto

ela contava coisas de pretos e índios
que descascavam cana só com os dentes
da sua gata que trazia jacarézinhos pros filhotes
das brincadeiras de bonecas de palha que procriavam
das onças que seu pai matava, das 'enchovinhas' que ele trazia
após sua ida anual a brodowski trocar suas colchas por sal e utensílios

à sua filha, minha mãe, guerreira engenhosa e teimosa, grande cozinheira
e meu pai bom e simpático, mudando de atividades na vida, como lhe foi
ele que me ensinou a gostar de são paulo dos 10 aos 14 anos
a mãe me ensinou a perspicácia (teimosia) e a cozinhar
ótimas lembranças deles, com muito gosto

'por eles tive a liberdade de ir atrás de meus próprios caminhos'
mas não me deram um irmão, e senti sempre a sua falta


aos meus 3 filhos ativos; meus espelhos, minhas medalhas, minhas sementes
Marcos - uerj, ufop, ufla, unifal + meia-fía Valéria, unifal e ufla + Pedro e Lis
Cecília - puc, ufla e ufla, que cuida dos bichos sobreviventes de Mariana
Daiana - puc, genra, avalia os pacientes que se submetem aos médicos
Paula - usp, unicamp, univ lyon, professora e mãe do Theodoro
Miguel - meio-fío, alto cirurgião das partes baixas

é o que devo à gerência, sensatez e o caráter da Fátima
por eles me fiz precisar e ora tenho o gosto de ser gostado
mais as ocasiões sublimes de me passar a limpo com os netos

devo aos professores: maria enir (em 1 mês li e escrevi), tio hominho, tia luzia,
tia maria, ti-dé, saudades demais deles hoje, eunice frizon, paula laclette,
nicola romano, irmão gregório, carmelo luíses, manuel san martin (manolo),
lula pai e leco campello, elias, marcão, cézão, cândido botafogo, nadir gavião,
padre jayme sullivan, homem que mereceu meus maiores respeitos,
carlos moscovitch, nélson osanai, joaquim schultz, norma taulois,
ronaldo bittencourt e ivaldo gropello-cbpo, élmio e clóvis da ag,
cecília castro, eduardo baron, márcio manela, regina kriegel,
sérgio bernardes, o arquiteto e sérgio bernardo, o violinista
mariano jacon, oscar niemeyer, yedo cavalcanti (dr iodo),
josé portinari leão, joão niemeyer, mozart, adeline,
paulinho césar, sílvio, anne lore, sérgio klein,
sérgio costa, sérgio magalhães, engenheiros,
lúcia monteiro, carl hilmer bem querido,
cláudio poubel, célio e henrique da sap,
victória, joão pedro, toni, ernesto,
ronaldo câmara, mauro esteves,
pedro cortes, dick welton, lê,
fernando tasso fragoso pires,
6são, maria d'alva e divina,
padre zézinho, miudinho,
na marcenaria em 61

com um pouco de cada um e muito de todos
folguei e fui ingrato com vários deles
pois me aturaram e me alçaram
o que conserto como posso
tentando refinar seus atos

22 já se foram, daria meu lugar para alguns
meus erros pago, não apago. também fiz coisas boas

tenho uma dívida inestimável com luiz carlos de oliveira e silva,
que de 2006 a 2015, no castelinho e depois em sua casa,
explicava os grandes pensadores e seus conceitos
com vinhos, saladinhas e agradinhos
que as coleguinhas traziam

pingou solvente nos nossos entendimentos
com ele aprendemos a ver nossas capacidades

nas melhores aulas eu dormia

...

devo demais aos funcionários, bons parceiros e amigos:

ana, heleno, gilson, sandra e cristiane, lena (com louvor), geninha
com vontade, ajudaram de verdade, só me deixaram saudades
gostaria de ter ficado com todos, acho que topariam

e aos autores que li e não vou citar
pra não faltar com nenhum
nem ser classificado

agora em poços tive a sorte de conhecer maria inês e joãozinho, a padeira glória,
o velho dos livros velhos da jaçanã dos santos, pompeu, jamil, seu antônio,
bin laden, todos da mina do cambará, o beca vivido (já foi), lucas, jair,
zé brechó da palha, tchié, 80% surdo, meigo e feliz, grito com ele,
o queijeiro e a menina nova de caldas que estudava psicologia,
jéssica bonita com seus 4 pedros e tantos gatos (um é pedro)
eliane e joão, bons como suas bananas, ovos, café e leite,
nei, maria rita e o zé de santaninha, pedro balaieiro,
panamá, lembra meu pai, contador de piadas,
bodinho de laranjeiras, bem viajado,
nós sabemos rir gostoso

. . .

e
se sempre há quem seja bom exemplo,
outros entram na nossa vida pra nos servirem de lição

"o mundo está cheio de gente que não vale o que diz."
voltaire

tudo criticam mas nada sugerem
muito 'espertos', 'sabem tudo'
tudo que ouviram de outros

não têm dúvidas de nada, plenos de certezas
se acham no direito de interferir (imiscuir)

veredictos da moda na ponta da língua
viciosamente informados

se não nos puxam para baixo, tentam abafar
querem atenuar seus próprios fracassos
maldizer todos pra vc e vc pra todos
têm prazer em torcer contra

vivem em guerra
e afirmam que são felizes

". . . a alegria alheia os incomoda"
rita lee

se não conseguem te manipular
é certo que vão te difamar

tudo deles e neles 'é o melhor'
coragem têm, vergonha não
''simpáticos'' e esquisitos
poses e dissimulação

quando adoçam a voz, é hora de redobrar a atenção
só dão arrependimentos de ter dado conversa
evidências constantes os denunciam
e acham que ninguém nota

lembro que sempre quando eu os deixava
ia pensando: pq ele ou ela disse aquilo?
pq não comentei nada na hora ?
fico sem dar respostas

e o que muito demorei a me dar conta:
perguntas objetivas os inflamam
de dar medo mesmo

sabem bem é esquecer o que já fizeram
tanto quanto o que andaram falando

mas como a verdade sempre vem à tona
gastam energia justificando seus atos
e nem eles mesmos se suportam

passam a vida chateando todos
arquitetando suas intrigas
complicando vidas

pensam que todos são seus iguais

acreditam nos próprios fingimentos
mais religiosos, mais perigosos ... e inescrupulosos
seus 'banhos' semanais não dão conta da suas sujeiras
bocas que repetem amor e deus com duros olhos ansiosos
vozes altas e caras arregaladas de quem nunca deu um suspiro

pois, ensinam a nos cuidar se tomarmos cuidado com eles
suas existências são úteis e práticas de certo modo
quando a gente se afasta e passa o mal estar
e nos damos conta de onde há perigo

que alguém perdoe eles por mim
'nem sabem o que fazem'
mas sabem sim

" eu deixo vc me fazer de bobo, mas vamos combinar antes ! "
- ouvi de um mestre de obras a um peão, com toda graça

"o que vale é ver quem vale,
quem gosta da gente
... pra ficar perto"
(meu filho)

...
. . .


voltando aos bons sabores do trabalho:

devo a eficiência que pude ter à agfa, fuji, kodak(c/reservas), às queridas minoltas,
fujicas 6x9 65 e 90 mm, hasselblad 500 cm e superwide, linhof technika 4x5",
rollei 35, rolleiflex, noblex, colormat, varioscope, majosix, variomat,
schneider, rodenstock, zeiss, mecablitz, vivitar, lunasix, gitzo,
time-o-lite, durst, colex e às ótimas canons digitais
ainda farei um museuzinho com quase todos

intel, microsoft, adobe, google e google earth + garmim
esquilo b2, robinson 22, 44, 66, hughes 300, 500
beechcraft seneca, bell 47 e 206, cessna skylane
e tantos outros em que voei só uma vez

suzuki, ray ban, yamaha, vitorinokia

ferramentas de talento, usei com gosto

e curti o quanto e enquanto pude:
phillips, teac, thorens, shure, harman kardon, lando
de 75 a 2011 juntei 10 metros de LPs lado a lado
mas tudo foi saqueado na casa da mãe

hoje, sem a qualidade de antes, mas ainda
fragmentos de músicas ouvidas por aí
me remetem a outras do início da vida
vou ao google e youtube e a vejo completa
procuro as traduções, resgato meu direito
lembro dias antigos e o que fazia então
a memória está esperando no lugar
mais longes, mais perto

muito ludovico, amadeu, frederico e pedro
gosto das antigas do começo do século
o rock nacional dos anos 80
o que não deu pra curtir
agora à vontade

admiro cristina graeml e caco barcelos
a bbc, o live leak, história geral, aves,
técnicas de construção e fabricação
filmes velhos, mas velhos mesmo
quadrinhos, aviação e armas,
charges, viagens de moto,
masaka e mais danças

. . .
. . .

dou boa vida a um gato gaiato, cor de pulga, olho azul, brincalhão e comilão
e a uma gata linda, sofisticada e exigente, que resolveram morar aqui
ele, um animal ninja, avança em qualquer cachorro; é um onço
ela não suporta vê-lo brincando, logo cria caso, como sóe
mais o vilão e a intrusa que vêm pegar seus restinhos
com a briga diária pra ninguém perder a forma
pelos pêlos que voam se vê quem apanhou
quando ouço encrenca, interfiro
e tome água, vilão !

a cada dia nos entendemos mais e gostamos de nos agradar
não sabia que se podia gostar tanto deste bicho
eventualmente sonho com eles e outros

são treinadores dos nossos sentidos
sei seus vários modos de miar
o jeito caprichoso de andar
de chegar e trocar afagos
de atentar, pedir
e de olhar

também falam pela ponta do rabo

e os tantos passarinhos que vêm aqui pra lanchar
até agora contei 19 espécies, 5 só de beija-flor
abelhas, arapuás, jataís e marimbondos
mais os morcegos grandes, mansos
nos restos de frutas, à noite

um beija-flor miudinho, velhinho, fala bem-te-vês (!)

bebe seu chazinho, senta no seu poleirinho
e fica resmungando baixinho, meia hora
deixa eu chegar a meio metro, me olha
e
se chegam os bem-te-vis escandalosos
ele os imita, discreto, rouquinho
já vi 2 vezes !

gosto dos sanhaços,
os mais espertos

. . .

. . .

quando posso, vou aos 'sertões' desta região exuberante
conhecendo os lugares que na infância só ouvia falar,
motor 2t; som e fumaças agradáveis da motocicleta
as estradas são de todos, caminhos de quem acha
fujo de asfalto, vacas, cachorros, chuva e tombos
marco uns tocos pra cavucar um dia, paro fácil
ipês, raízes de cajaranas, jacarandás, perovas,
panho goiaba, casco laranja, xêro fôia
acho água de mina nas sombras
paro, sento e fumo meus pitos
ouvindo o lugar, de longe
absorvendo silêncios

me torro no sol
em espaços verdes
e bafos de terra fresca

'dias grandes, azuis e brancos'
gr

no caminho, roceiros(as) tranquilos
prontos a uma boa conversa
e com o que dizer

quase todos nasceram onde vivem
e já foram ao menos uma vez
à 'pricid'nórt'

nas alegres chegadas, sorrisões, comidinhas e comidonas
rosquinhas e quitandas de velhinhas muito espertas
doces, linguiça frita e queijos frescos da casa
as caras das crianças me deixam seguro
ótimos cantos pra se sentar e ficar
pão, pinga e café de verdade
nem tudo de uma vez

fora os bichos que admiramos ... e comemos
lambuzados de paz em ambientes relíquias
nas mais fraternas comunhões

às vezes levo uns bifes pra fazer lá
pepinos e tomates pra salada, só

"_ foi bão cê chegá, tava pensando uma coisa pra te falá!"

nas cozinhas, onde as melhores recepções
quando não acho uns restos, fazemos
comemos no sol ou na sombra
ouvindo seus galos
e regos d'água

gostam de minhas histórias
degusto seus 'causos'
nos interessamos

lá me tratam como super-herói
pois morei no rio de janeiro
. . . 'é muita coragem !'

caipiras cheirosas, saudáveis, vigorosas, frutas do mato
ativas e 'orgânicas', desmentem qualquer feminista
não precisam provar nada com caras de sabidas
não se vê poses, só as atitudes espontâneas
não exigem atenção pois não precisam
já falam claro o que é e o que não é
conversas na intensidade certa
caras sérias que encantam
e sorrisos de toda graça
fêmeas completas

"... o rir um pouco rouco, não forte, mas abrindo franqueza quase de homem,
sem perder o quente colorido, qual, que é do riso de mulher muito mulher,
que não se separa da pessoa, antes parece chamar tudo pra dentro de si."
joão guimarães rosa, o insuperável


umas manuelas sacudidas que me deixam sem jeito
uma rafaela que chega bonita na sua égua catita
uma thaís que pilota trator, ara e semeia

lá não há ecocôlogistas fanáticos que comem transgênicos
não arrotam moral nem se aboletam em sofás pra ver tv

não freqüento os arrogantes apressados das caminhonetes

o que a gente fala tem boa volta - o que se ouve se aproveita
sem 'climões', ainda não vi perturbadas e tarjas-pretas
nada de olhares tortos ou as conversas evasivas
não enfiam assuntos alheios ao momento
nunca ouvi as irritantes risadas ardidas

seus homens chegam tranquilos
trazem e dividem paz
brutos e puros

e ouço confidências deles
como assim: 'vc que é vivido' ...
e nós trocamos experiências e valores
e devolvo que bem vividos e sabidos são eles
em comum, estratégia e habilidades de sobrevivência

"bobo é quem pensa que caipira é bobo !"
c pires

suas casas simples e bem posicionadas
abrigam com dignidade e conforto

difícil é ir embora, sempre um café a mais

saudades plantadas, volto carregado de ecos:

' . . . 'num demora não ! ' . . . ' vem pra posá ! '

um dia ligaram: ' teu' doce tá pronto ! '
só porque elogiei uma laranjeira

não fotografo estes rostos, estragaria, só lembro
não tenho a soberba dos medalhões posudos
nem a cara de pau dos photo-marketeiros
que vivem de explorar estas purezas
em troca de um boné ou camiseta
e faturando bem depois

ando por lá menos do que gostaria
pra não cansar as hospitalidades
nem aguar minha graça


...


dia sim dia não, o mercadão
na feira de sábado a via sacra
alguns me esperam pra falar
e, 'vêis in quando', convidar

lá também vejo as afetações dos privilegiados
as lamentações dos remediados
a ignorância dos excluídos

muitos reencontros esperados com novidades

outro dia, quis saber de um ex-carreiro, 93 anos
que viveu e ainda pensa e fala só em léguas
(tem 'légua das grande' e das 'piquena')
magro, anda mais rápido que eu,
o que perguntei:

_ qual era a velocidade de um carro de bois,
quanto o senhor andava num dia de viagem ?

ele parou, olhou pro chão ... pra mim,
e disse mansinho:

" _ O boi anda na toada da cantiga do carro ! "

calei a boca, guardei

recentemente ele me disse que toma remédio pra dormir
"senão eu fico pensando em parafuso ! "

...

hoje meu relógio é devagar, a semana é que se apressa,
os anos agora só mudam de nome
me atento à lua e estações

se ainda conseguir me reabilitar e me alforriar
vou queimar gasolina no norte das minas gerais
antes que deixem virar uma imensa fábrica de soja

quem sabe no opalão que nunca tive

nas sensações do convalescente
um mês, um ano, o que for
seguir uns rios inteiros
catar suas pedrinhas
ver mais serras
e as veredas

ficar quanto quiser onde e enquanto valer
andando e parando conforme a vontade
conhecendo gentes e mais gentas

passei a vida viajando rápido
sem saber se ia ou voltava

"... meu filho, toda pressa é maldade ! "
(rosalina para lélio, gr)

já tô vencido e nem ligo, ainda consigo
tô que nem carro véio de pedreiro
cheio de defeitos mas sirvo
e posso terminar a obra
e minha garagem

pois, já bati, já apanhei,
feri e me machuquei
desde os 4 anos

memória flash
lembro mais do que não está aqui

. . .

desde criança penso no universo visível
sendo os átomos do fio de uma faca
de um gigante ... sem ir além

tenho tanto este direito como
o bam bam bam que disse que
só conhecemos 30% deste espaço
como ele sabe que existe mais 70% ?

e este todo estaria em um imenso vazio ?
além dos 100 seria "um precipício" ?
parece idade média . . .

é muita cara de pau
não dá

e o tempo, que inventamos
é tudo da nossa mente

pensar é definir os estímulos que nos atingem
cultura é o conhecimento bem peneirado
bom senso é admitir o que pode ser
e descartar o que impõem que é

. . .

imagino a vida como um livro que carregamos debaixo do braço.
se temos tempo ficamos relendo as melhores passagens
desatentando às partes desagradáveis que estão lá
ora vendo as figuras, ora revendo com coragem
reavaliando as velhas interpretações
e nunca o folheamos em ordem

então a gente pára em certos trechos
em reinterpretações mais frias
nas mais cruas conclusões
senão não valeu nada
lições doídas

nas páginas ainda em branco
não olhamos ou contamos
escrevendo uma a uma

é o que penso que sei
mas sei que é mais
o que não sei

e
saber o que não se precisa
é o que se precisa saber

.
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